Segunda-feira, 16 de Março de 2015

Que nome bué da louco, "helicópteros de dinheiro", vou usar já.

Eu entendo que a imagem de helicópteros a atirar dinheiro seja apelativa, e que o facto de o termo helicopter money existir mesmo em economia monetária, tenha dado vontade à Patrícia Abreu de escrever um texto intitulado "Saiba como ganhar com os helicópteros de dinheiro do BCE" no Jornal de Negócios. Contudo, e por muito que se tenha esforçado com várias referências gráficas a essa imagem como "o helicóptero levantou voo", "atirar dinheiro para a economia", "provocou um vórtice", "o helicóptero da Fed esteve muitos anos no ar" e "na Zona Euro, só agora descolou" (isto tirado apenas do pequeno resumo que a versão online mostra... imagino que continue), o que está a acontecer na Zona Euro nada tem a ver com helicopter money.

A ideia essencial é imprimir moeda que vá parar directamente às mãos das famílias, estimulando a procura, e isso não está a acontecer. O BCE não está a dar dinheiro, está sim a comprar activos financeiros, algo que faz desde o primeiro dia sendo que desta vez o faz em larga escala, comprando títulos de dívida pública e aumentando a moeda em circulação. Enquanto eu e a Patrícia não recebermos dinheiro na carteira sem termos de pedir um empréstimo ou vender um activo financeiro, não estamos perante helicópteros de dinheiro.

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publicado por Miguel Carvalho às 11:14
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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2015

Para bom observador, meia conjunção aldrabada basta

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 O Diário Económico tem hoje uma entrevista publicada sobre o título:
"Costa só deixará de ser presidente da CML quando for nomeado primeiro-ministro".

A capa do DE até é bem mais explícita, ao resumir o tema com um "António Costa fica na Câmara até às eleições legislativas".

A Liliana Valente do Observador, ao fazer um texto sobre a mesma, achou que era muita mais giro alterar uma conjunção, e optou por:
Costa só deixa de ser presidente se ganhar eleições

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publicado por Miguel Carvalho às 20:14
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Sábado, 27 de Dezembro de 2014

O Luís Reis Ribeiro prejudica o DN

Depois de ter sonhado há umas semanas que o BCE ia dar dinheiro de borla a toda a gente, o jornalista do Dinheiro Vivo/DN diz agora que o BCE acha que Trabalhadores têm poder a mais e prejudicam empresas. Felizmente já alguém se deu ao trabalho de dar uma olhada no estudo em causa, e de desmontar a... "notícia". Foi o Luís Aguiar-Conraria em Títulos Porreiros.

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publicado por Miguel Carvalho às 15:54
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2014

Um título, dois erros

Quem abre a página do Jornal de Negócios lê isto:

Poder de compra subiu pela primeira vez em três anos

O título da notícia de Eva Gaspar diz um pouco mais, mas é igualmente mau:

Poder de compra dos portugueses subiu pela primeira vez em três anos para 79% da média europeia

Primeiro temos a habitual confusão entre "poder de compra" (seja lá o que isso for), e o PIB per capita em PPP. Não seria tão grave se este não fosse o único documento do Eurostat onde consta uma medida que realmente se aproxima do que as pessoas entendem por "poder de compra", o Actual Individual Consumption. Ou seja, tendo à frente dos olhos a melhor definição de compra que existe, o JNegócios olha para a coluna do lado.

Segundo, quando o meu vizinho perde o emprego e o meu salário é reduzido 20%, não é por a minha desgraça ser menor que o meu rendimento sobe. O JNegócio discorda. Acha que o meu rendimento está melhor. A palavra "subir" dá a entender que se está perante uma subida real, quando os dados são apenas sobre uma subida relativa.

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publicado por Miguel Carvalho às 11:26
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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2014

Bomba Atómica: o Dinheiro Vivo rebenta com as decisões do BCE

Este texto de Luís Reis Ribeiro, não tem ponta por onde se pegue, logo a começar pelo título:

1."BCE quer dar dinheiro à borla a toda a gente".

O BCE não revelou nenhuma intensão clara, para lá de avaliar o que já está a fazer.
O BCE não quer dar, quer emprestar... o que é diferente, e algo que faz desde que foi criado.
Mas não se falou em emprestar, falou-se em comprar títulos de dívida, que a serem comprados seriam comprado a preço de mercado.
E não é emprestar de borla sequer. O BCE já empresta a taxas muito baixas... e não pensa mudar isso. (Ver frase acima)
A toda a gente? Não... O BCE não pensa ter contacto com mais ninguém do que com os bancos ou os mercados financeiros, algo que faz desde que foi criado.

2. ""quantitative easing" (QE), isto é, programas de alívio monetário puro que, no fundo, é ter o banco central a imprimir moeda que depois injeta nas economias, sem cobrar em troca. "

Imprimir moeda, e injetar nas economias, é algo que o BCE faz também desde o primeiro dia.
O não cobrar nada, repito, é mentira.
Por último QE, não tem nada a ver com o que diz a frase.

3. "oferecê-lo às economias: aos governos, aos bancos, às empresas, às famílias."
Oferecer: não.
Governos: não.
Bancos: sim!
Empresas: não.
Famílias: não.

4. " trata de impressão pura de moeda."

E o que será então a impressão impura?

5. "financiamento direto via moeda"

Mas.. um financiamento se não é via moeda, seria via quê? Ouro?

6. "o BCE pode ficar com o lixo e as dívidas de bancos, empresas e Estado"

O BCE nunca ficaria com o lixo (?) e as dívidas dos bancos e do Estado (as empresas nem são para aqui chamadas). O que pode acontecer é que um banco/Estado pode não conseguir pagar, e o BCE fica sem o dinheiro. Mas isto já pode acontecer hoje em dia, porque o BCE tem biliões em activos financeiros no seu balanço.

7. "mutualizando perdas de países mais pequenos"

Os grandes não têm perdas? E são só os países que têm perdas?

8. " o BCE precisa de ter controlo sobre o tamanho do seu balanço, explicou o banqueiro, algo que atualmente parece não estar resolvido."

Como é que não está resolvido, se é o BCE é independente e decide o que faz em termos de empréstimos?

9. "puxar a inflação para próximo de 2%, como está no tratado que institui o seu mandato."

Isto não está no mandato. O que está nos tratados é que tem como objectiva a estabilidade dos preços. Os 2% foram definidos pelo próprio BCE.

10. "É que, no limite, está a dar-lhes dinheiro." (sobre o QE)

Outra vez. Dar e emprestar são diferentes.

11. "O BCE simplesmente adquire os ativos e compensa com emissão de moeda, que fica a circular no sistema. Só o BCE, único emissor de moeda, tem poder para fazer uma coisa destas."

Compensa o quê? Só o emissor é que pode emitir?

12. "Há evidência suficiente de que o QE pode ser eficaz"

Evidence, em português diz-se "prova". É contudo uma evidência que o autor não o sabe.

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publicado por Miguel Carvalho às 18:39
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

O Público anda com a cabeça lá para os lados do cometa 67P

Hoje: Draghi diz que é essencial reduzir a inflação “tão depressa quanto possível”

O Draghi falou sim em "elevar", tal como é atestado pelo resto da imprensa. O  Público ouviu "reduzir" - o que, geralmente, é o oposto de "elevar".

 

Anteontem: Por agora, os cientistas da File ainda não revelaram que moléculas orgânicas foram detectadas ou quão complexas são. Se, por exemplo, contêm carbono

Sendo que uma molécula orgânica contem carbono por definição, o Público pode esperar sentado por tal revelação.

 

Há duas semanas: BCE já iniciou a preparação técnica para comprar dívida pública

A frase que o Público cita como prova é a seguinte "The Governing Council has tasked ECB staff and the relevant Eurosystem committees with ensuring the timely preparation of further measures to be implemented, if needed", sendo que em nenhuma parte da conferência de imprensa é referida a compra de dívida pública, e mais nenhum órgão de comunicação europeu falou em tal coisa.

 

publicado por Miguel Carvalho às 11:37
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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2013

Uma pequena história

A reação dos jornalistas portugueses perante críticas construtivas (como as deste blog) é quase sempre de desprezo ou de contra-ataque. Uma chamada de atenção para um erro não é visto como uma ajuda, mas como uma afronta ou uma ofensa pessoal. Do pouco que nos foi chegando sobre a reação dos jornalistas ao blog, percebemos que havia uma raiva latente.

Hoje pela primeira vez deixei um comentário no Guardian, provavelmente o melhor jornal europeu, onde eu corrigia uma informação dada num texto. Poucos minutos depois, o jornalista em causa escrevia no topo da página um pedido de desculpas, afirmando que as informações que tinha dado antes estavam erradas por culpa sua.

publicado por Miguel Carvalho às 20:30
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2013

Verificar fontes é para idiotas

Portugal lidera quebras na construção, diz o Económico.

Portugal teve a queda mais profunda na construção em 2012, diz o Jornal de Negócios.

 

Polónia cai 23.7%, Portugal 18.2%,  diz-nos o Eurostat - a alegada fonte das notícias. O Eurostat diz ainda que não há dados para Chipre, Irlanda e Grécia.

 

Se é esta a exigência que se tem com coisas que ou são branco ou preto, imagine-se quando há vários tons de cinzento.

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publicado por Miguel Carvalho às 13:43
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2013

A carga fiscal portugesa é "bué da" grande

Era uma vez, dois alunos da preparatória chamados António Costa e Paula Cravina de Sousa que  falaram com um amigo, chamado KPMG, que deu uma olhada nos preços no supermercado. Viu a carne (bom, só o frango embalado e a carne picada) e os iogurtes (de sabor a banana, e também a morango), tanto no Pingo Doce como no Continente. O Continente tinha em geral os preços mais caros.

O António e a Paula escreveram então no pasquim da escola: "O Continente é o hipermercado mais caro de todos".

A stôra comentou então:

"Mas o vosso amigo só viu meia-dúzia de produtos, como sabem a média dos preços?"

Depois acrescentou:

"Ele só passou em duas lojas... e o Pingo Doce nem hipermercado é!"

 

Troque-se "caro" por "carga fiscal elevada", "hipermercados" por "países europeus",  e a carne e o iogurte por IRS e temos a notícia do dia saída no Diário Económico. Os jornalistas António Costa e a Paula Cravina de Sousa afirmam que "Portugal tem a carga truibutária mais elevada da Europa". Lá pelo meio ainda dizem que só se compara com os "cinco países mais ricos da Europa" (parece que a Espanha é um dos tais cinco, e nenhum dos escandinavos o é...), mas não há volta a dar ao sensacionalismo do título da notícia.

Para lá de chamar Europa a 5 países, compara-se apenas um imposto, o IRS. Parece que o IVAs, IRCs, ISPs e isso são trocos - e eu agradeceria que pagassem a minha parte. Comparam apenas meia dúzia de famílias-tipo, e não a média da população. Comparam ainda o incomparável, uma família com rendimentos de 50000 euros/ano é classe-média na Alemanha mas rica em Portugal , logo é lhe pedido uma contribuição maior.

Todos a imprensa copy-pastou feita carneirada, com a honrosa excepção do Público que foi capaz de escrever um título informativo e rigoroso: Impostos sobre rendimentos elevados em Portugal superam principais economias europeias.

 

E a Realidade? Por coincidência o Eurostat publica hoje um artigo sobre os últimos dados sobre cargas tributárias na Europa. A Dinamarca tem 48,6%, a média europeia é 40,8%, e nós temos 36,1%. Bolas.

 

 

Adenda: um leitor chamou a atenção para o facto de eu comparar números de 2011 com 2013 no último parágrafo. Estava bem claro no post, que eu falava de "últimos dados" e não de previsões. Mas olhemos para as previsões, da Comissão Europeia: Dinamarca 48,7%, média europeia 40,9%, Portugal 36,7%.

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publicado por Miguel Carvalho às 00:31
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Domingo, 20 de Setembro de 2009

"O Público" e as dicas vindas de Belém

 

Neste blog  por termos algumas vezes denunciado omissões e deturpações por parte do Publico, já fomos acusados de comportamento pouco sério, por parte do Dr. José Manuel Fernandes.
Sem mais comentários, resumo a opinião do Provedor do Público:
O provedor entende que do comportamento do jornal Público, na elaboração da notícia de 18 de Agosto sobre eventuais escutas de Sócrates ao Cavaco Silva, resultou uma atitude objectiva de protecção da Presidência da República, que foi a fonte da notícia.
Joaquim Vieira, conclui que houve graves erros jornalísticos em todo o processo e dá um exemplo: «o Público permitiu que o guião da investigação fosse ditado pela Presidência da República».
O provedor denuncia ainda:  «Na sexta-feira, o provedor tomou conhecimento de que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do Público».
 

 

publicado por Oscar Carvalho às 22:45
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