Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Se não aconteceu, podia ter acontecido

O jornal humorístico 24 Horas, concorrente fraquinho do Inimigo Público de onde roubei o título do post, diz hoje na capa: Portugal é o país da Europa com maior taxa de homicídio. Relatório da ONU preocupante. O mais grave não é,

 

- deixar a ideia na capa de que se tratam de números actuais

- nem generalizar os dados de um ano só, quando eles são muitos voláteis (em 2006, o ano escolhido pelo 24 Horas, a taxa foi de 2,15 mas tinha sido 1,66 no ano anterior e terá sido algo como 1,6 no ano seguinte pelo que percebo do texto do jornal),

- nem "esquecer" que países como França, Bélgica, Luxemburgo, Hungria, Bulgária, Islândia etc. (salvo o erro são países europeus), não constam do relatório,

- nem "esquecer" que as definições jurídicas de homicídio, e logo as estatísticas em si, não são comparáveis entre países*.

 

O mais grave é haver vários países europeus (Bielorrússia, Estónia, Letónia, Lituânia, Mónaco) onde a taxa de homicídio foi mesmo maior do que a nossa no ano escolhido pelo 24 Horas. E isto não os impediu de escolherem o título que escolheram.

 

Depois há o SOL que faz copy-paste do 24 Horas sem se dar ao trabalho de verificar os dados. O Público além de se esquecer no título da França, Bélgica e Luxemburgo, deve julgar que o Mónaco é um país nas Caraíbas.

 

*Normalmente não faria esta crítica, porque o jornalista não é obrigado a saber este pormenor.  Normalmente diria que a tarefa do jornalista é apenas usar os números da fontes. Mas neste caso, é o próprio corpo da notícia que diz que os números não são comparáveis.

publicado por Miguel Carvalho às 19:27
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2 comentários:
De Bjorn Pal a 19 de Fevereiro de 2009 às 08:36
lamento mas o jornalista É obrigado a saber sobre o que escreve. É imperativo que assim seja ou então continuamos com o "jornalismo" absolutamente miserável que temos.
De Miguel Carvalho a 19 de Fevereiro de 2009 às 14:45
Bom,
estamos a falar de um detalhe jurídico complicado. E não se trata só de Direito nacional, mas do Direito em países diferentes.

Mas o meu ponto fundamental nem era esse. A partir do momento em que uma fonte fidedigna (estamos a falar de uma agência da ONU!) faz uma dada afirmação, não acho que o jornalista tenha o dever de verificar a credibilidade dessa afirmação. Caso contrário teríamos jornalistas a fazer o trabalho do INE, do EUROSTAT, etc.

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