Sábado, 28 de Junho de 2008

Afinal há homens verdes com antenas

Marte poderá mesmo ter vida, diz o Portugal Diário. Quando se lê o texto, percebe-se que  a novidade é a descoberta de alguns nutrientes que existem no solo terrestre, não há absolutamente nada sobre a existência de "vida". A própria fonte da notícia, a BBC, diz apenas Martian soil 'could support life'.

Mas não custa nada alterar umas palavrinhas e apimentar a história... ninguém liga.

 

publicado por Miguel Carvalho às 14:58
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Comparar extremos não faz sentido

Impostos: Portugal tem décimos IRC e IRS mais altos da UE, diz o DD.

 

A questão é que este ranking não é feito com os impostos médios cobrados. É feito sim com escalão mais alto dentro de cada imposto. Não sei como é o caso do IRC, mas no  IRS apenas uma pequena fracção de portugueses paga 42%. Não faz pois sentido pegar neste valor como representativo para a realidade nacional. É como dizer que os portugueses são mais altos que os suecos, porque o português mais alto  de todos é maior que sueco mais alto.

Se formos analisar o valor médio da taxa fiscal implícita, chegamos à conclusão que só há 4 países com IRS inferior a Portugal! Algo bem longe do que a notícia faz crer.

 

Aproveito o relatório do Eurostat para acabar com outro mito que aparece constantemente na nossa imprensa, na boca de muitos políticos e comentadores, o mito de que os impostos em Espanha são mais baixos do que em Portugal. Pois bem, a carga fiscal em percentagem do PIB - o modo correcto de aferir o peso fiscal - na economia é mais baixa em Portugal! (A diferença é miníma, mas contrária ao mito).

publicado por Miguel Carvalho às 17:31
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E assim se explica porque vão eles à bruxa

O futebol (o desporto ou quase tudo em geral) e as estatísticas, dão nisto.

 

E já agora: de cada vez que a Alemanha ganhou (ou qualquer outra selecção, ou clube, ou, ou, ou), era de dia. A noite deve pois ser madrasta.
 
Trata-se de um problema de selecção – a maior parte dos campeonatos internacionais tem lugar em Junho e, portanto, não existem observações suficientes para comparar com os restantes dias do ano – e, sobretudo, de uma relação espúria – isto é, nada leva a crer que um dia particular possa influir no resultado de um jogo de futebol (talvez por preces a S. João feitas a 24?). Que acontecerá à Alemanha se Platini calendarizar os campeonatos para Agosto?
 

Nada disto seria relevante não fosse alimentarem-se deste tipo de coisas as superstições, as tomadas de decisão e os comportamentos sub-óptimos dos indivíduos. Em suma, não fosse este tipo de notícias contribuir para um pensamento estatístico deficiente e, daí, para uma avaliação incorrecta da informação.

 

Isto não é informação, é entretenimento.

 

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publicado por Carlos Lourenço às 16:31
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Venham daí todos que eu pago uma jantarada ao pessoal

Governo paga novos empregos antes das eleições, diz hoje em grande a capa do Jornal de Negócios. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. Lá dentro, o texto  explica afinal que...

As empresas que, nos primeiros meses de 2009, contratarem desempregados há mais de seis meses ou que coloquem no quadro trabalhadores até aos 30 anos que estão com contrato a prazo ou a recibos verdes ficarão isentas de contribuições para a Segurança Social durante três anos.

Algo como eu dizer à malta do Jornal de Negócios "eu pago uma jantarada ao pessoal todo", quando na realidade apenas os quero fazer ver que tenho um vale promocional que oferece dois ou três cafés no fim do jantar.

 

publicado por Miguel Carvalho às 13:29
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Os milionários e a crise

No DN de hoje, o Pedro Ferreira Esteves mostra-se muito surpreendido com o facto de, durante o ano passado, 200 portugueses terem subido à categoria de milionários. Lê-se no título da notícia: "Número de ricos em Portugal sobe apesar de crise económica". Se há crise, como é que pode haver gente a passar a fasquia?, pensará o Pedro Esteves.

Lembre-se que a 'fasquia' é um milhão de dólares. Já o era em 2007 e já o era muito antes. É, portanto, um limite estático, invariante às condições económicas. Se nos lembrarmos também que a quantidade de moeda em circulação, numa economia como os Estados Unidos ou a Zona Euro, cresce tipicamente a uma taxa de 4, 5, 6 (ou mais) por cento ao ano, torna-se muito fácil de perceber que, com aquela definição, não é sequer necessário uma economia crescer em termos reais para haver mais gente a ficar milionária. Inflação chega e sobra.

Se nos lembrarmos ainda que o euro valorizou quase 15% face ao dólar entre Janeiro de 2007 e Janeiro de 2008, facilmente se percebe que até pode haver portugueses a tornarem-se milionários com menos euros no bolso. Ou seja, dada uma definição de "milionário" puramente monetária basta alterarmos as condições monetárias para termos mais gente a cumprir os requisitos mínimos. Não precisamos de ser realmente mais ricos. Acresce que, em termos reais, a economia portuguesa também cresceu. Umas migalhitas, mas cresceu. Se juntarmos tudo isto, onde é que está a surpresa?

[Como é óbvio, para um aumento do número de milionários também pode contribuir uma pior distribuição do rendimento. Só pretendo aqui deixar claro que isto, sendo suficiente, não é minimamente necessário. Mesmo numa economia estagnada.]

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publicado por Pedro Bom às 22:54
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Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Custa muito citar três palavrinhas?

O ministro da agricultura acusou as associações dos agricultores de terem dirigentes da extrema-esquerda e da "direita mais conservadora".

Vários órgãos de comunicação social, a começar pela LUSA, trocaram a expressão "direita mais conservadora" por "extrema-direita". Será que eles não sabem que as duas expressões têm significados e pesos muito diferentes? E será que é assim tão difícil fazer uma citação correctamente?

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publicado por Miguel Carvalho às 21:00
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Títulos pouco rigorosos

Normalmente é nos títulos das notícias que a falta de rigor se nota mais, consequência do autor pretender em poucas palavras prender a atenção do leitor. Já não tem conta o número de postagens que fizémos sobre o assunto.

Hoje mais um: "Bloqueio triplica lucro das gasolineiras".

Enfim, vem no Correio da Manhã....

E também não é preciso explicar que esta frase dita assim é um disparate. Ou é?

 

P.S.: Afinal sugeriram-me que explicasse! ...as minhas desculpas aos leitores que não necessitam de posteriores explicações.

Então é assim: Na semana em causa, houve um consumo anormal de combustível, razão pela qual "as vendas" devem ter sido anormalmente altas. Dado que não é de esperar que todos os automobilistas tenham tido a bizarria de, nessa mesmo semana, espatifar todo o combustível adquirido, é de esperar que na semana seguinte as vendas das gasolineiras tenham sido anormalmente baixas. Donde os resultados de exploração no final do periodo -trimestre ou ano - devem ser exactamente os normais. (Provavelmente até menores porque, na semana em causa os automobilistas devem ter-se coibido de trajectos não necessários).

Não havia necessidade deste disparate, podiam ter escrito: "Venda de combustíveis durante o periodo do bloqueio triplicou"

publicado por Oscar Carvalho às 12:43
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Noves fora nada

Para que da análise de uma amostra de indivíduos se tirem conclusões para a população de indivíduos de onde essa amostra provém, é necessário que a amostra verifique, pelo menos, duas condições: seja aleatória e representativa.

 

A aleatoriedade significa que todos os elementos da população têm uma probabilidade não nula de ser seleccionados para a amostra. A representatividade significa que a estrutura da amostra respeita a estrutura da população nas suas características principais, nomeadamente naquelas que se esperem estar relacionadas com o tópico em estudo.

 

Ora, a notícia do Diário Económico de hoje, em letras garrafais na primeira página, é um insulto grosseiro aos mais elementares princípios estatísticos que permitem a formulação de conclusões sobre uma população a partir de uma amostra.

 

Concluir e afirmar categoricamente no título da notícia em primeira página, e novamente no início do texto, que “os empresários portugueses apoiam obras públicas”, tendo por base uma amostra de 20 empresários contactados pelo jornal, que muito dificilmente representam a população de “empresários portugueses”, é de provocar urticária.

 

Pior ainda: como se não bastasse o facto de a amostra de 20 empresários muito dificilmente ser (aleatória e) representativa da população, lê-se depois no texto que, afinal, apenas 9 daqueles empresários “apoiam” sem reservas os projectos públicos previstos.

 

Ou seja, não só seria errado concluir para a população fosse o que fosse com esta amostra, como ainda por cima a conclusão, mesmo que apenas para a amostra, está errada. Mais de metade dos empresários contactados apoia com reservas ou não apoia os projectos públicos.

 

Das duas uma: ou os erros de análise do jornal são cometidos sem consciência dos mesmos ou, não o sendo, não é ingénuo não querer noticiar a “não-notícia” de que 9 empresários portugueses apoiam obras públicas.

publicado por Carlos Lourenço às 09:08
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Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

Esclarecimento

Nos últimos dias este blogue tem sido enchido de comentários ofensivos e sem sentido, de quem não entende o que está a criticar. Apesar de virem assinados com nomes diferentes, de haver resposta e contra-resposta, de haver estilos de escrita diferentes, eram todos feitos do mesmo computador. Os primeiros comentários foram respondidos, tal como sempre respondemos a qualquer crítica, mas quando ficou claro que o objectivo não era discutir os conteúdos dos posts, tivemos que tomar uma opção radical. Depois de vários avisos, pela primeira vez desde que o blogue foi criado (e o que não faltou até agora foram comentários com ofensas pessoais),  começámos a apagar os comentários.

O problema contudo manteve-se, e somos agora obrigados a fazer algo que abominamos, moderar os comentários.

Esperamos que seja temporário.

publicado por Miguel Carvalho às 11:31
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Sábado, 21 de Junho de 2008

Mais do mesmo

O Banco de Portugal (BP) e o INE vieram ontem com novos dados da conjuntura económica e, como já seria de esperar, o DN e o seu jornalista de serviço, Rudolfo Rebêlo, lá tratam de disparatar sobre eles. Vou tentar ser claro, para que a caixa de comentários não fique entulhada de observações anónimas ainda mais absurdas do que as da própria notícia.

 

1. Actividade Económica. No título da notícia e ao longo do texto o Rudolfo tem o cuidado de referir (e bem) que a economia está a "arrefecer" ou a "desacelerar", em vez de "decrescer". Isto é verdade: o indicador coincidente do BP aponta para um crescimento homólogo positivo em Maio (0.4%), mais baixo do que o de Abril (0.8%). Mas, tendo o nível de actividade económica sido, em Maio último, superior ao de Maio do ano passado (em 0.4%), porque raio diz o Rudolfo que "a actividade económica [está] ao nível mais baixo desde 2003"?

 

2. Consumo. Mesmíssima coisa, mas agora o Rudolfo consegue contradizer-se na mesma frase: "o consumo das famílias terá aumentado 0,5% em Maio, face ao mesmo mês do ano passado, mas está a decrescer ao longo dos últimos meses, atingindo o valor mais baixo desde Setembro de 2003". Então mas, cresceu 0.5% em relação a Maio do ano passado e é o mais baixo desde 2003? Será que o Rudolfo não consegue arranjar um mês desde 2003 em que o consumo tenha sido menor? Dou uma sugestão: que tal Maio do ano passado?

 

3. Investimento. "Investimento aumentou em Abril", diz o Rudolfo, embora não refira quanto e onde foi buscar a informação. O que o INE diz é que a variação percentual homóloga do investimento foi -1.9% em Março e -0,5% em Abril. Ou seja, o investimento desceu em ambos os meses, em relação aos meses homólogos de 2007, embora menos em Abril. Se o Rudolfo diz que subiu em Abril porque -0.5% é maior do que -1,9%, então estamos em presença do disparate do costume, porque ambas as variações são negativas. [Claro, em relação a Março o investimento até pode ter subido, mas não só isto não é uma implicação lógica dos números do INE como nem as variações mensais são para aqui chamadas.]

 

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publicado por Pedro Bom às 22:52
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