Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Stock e fluxo de subsídios de desemprego

Não se deixe enganar quem ler a capa do DN de hoje, onde se diz que os "subsídios de desemprego aumentaram 110%". Não fique a pensar-se que o números de desempregados a receber subsídio de desemprego aumentou para mais do dobro, como o título enganosamente sugere. O que, segundo o texto interior, parece ser verdade é que o número de novas atribuições de subsídio de desemprego (mas nem é claro no texto se este número é líquido, ou seja, se exclui pessoas que deixaram de o receber no mesmo período) foi mais do dobro do que o número de novas atribuições em Março do ano passado (embora este número não seja revelado).

 

É um detalhe que faz toda a diferença, pois distingue o stock de desempregados com subsídio de desemprego do fluxo de novos desempregados que passam também a receber subsídio de desemprego. Seria até possível que o desemprego tivesse diminuído (embora se saiba que, infelizmente, não terá sido o caso). Exemplo: se havia 100 desempregados com subsídio de desemprego em 1 de Março de 2008 e uma pessoa ficou desempregada com subsídio ao longo desse mês, em 1 de Abril de 2008 havia 101 desempregados a receber subsídio. Quem ler a capa do DN de hoje, ficaria a pensar que havia, em 1 de Abril deste ano, mais de 200 desempregados com subsídio. Mas o que o DN quer dizer é que, em Março deste ano, 2 (em vez de 1) novas pessoas (fluxo) ficaram desempregadas com subsídio (o que poderia resultar de uma subida do stock de desempregados de 90 para 92, por exemplo).

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publicado por Pedro Bom às 12:58
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Terça-feira, 21 de Abril de 2009

Aldrabices, daquelas que já nem ligamos II

Capa do DN de hoje: Reformados do Estado vão ter pensões 8% mais baixas

Lá dentro fica-se a saber:

1. Não se trata de todos os reformados, mas de um pequeníssimo grupo: os que se reformaram no início deste ano.

2. Os 8% não provêm de alguma análise da legislação. São comparadas duas amostras de 2008 e 2009, não havendo qualquer garantia que as amostras têm populações semelhantes.

3. Para este ano foi possível pedir reforma com uma carreira contributiva menor, logo menor reforma. É um absurdo portanto comparar a reforma de um ano com o outro. É como afirmar que as pessoas com olhos castanhos ganham mais do que aquelas com olhos azuis, "omitindo" que fui apanhar os primeiros à porta de um banco, e os segundos na construção civil.

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publicado por Miguel Carvalho às 01:55
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Aldrabices, daquelas que já nem ligamos

Parágrafo principal de uma notícia no Público de Sábado: Os indicadores da instituição mostram que o consumo privado caiu (...).

No texto: O indicador coincidente relativo à evolução homóloga do consumo privado (..) mantendo-se, no entanto, ainda em terreno positivo.

publicado por Miguel Carvalho às 01:52
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Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

O fim do mundo é já amanhã

A sede da desgraça corre nas veias de muita gente, e a Catarina Almeida Pereira do DN aí está para a alimentar. Assina hoje um artigo com o título Salários baixos estão cada vez mais baixos. Um título, três afirmações infundadas (de acordo com o próprio texto! nem verifiquei a fonte).

 

1. Salários baixos?

O estudo foca-se aparentemente em metade dos trabalhadores portugueses. Possivelmente os salários mais baixos nem foram incluídos no estudo.

O grupo ao qual a Catarina chama "salários baixos" tem 940 mil trabalhadores,  uma imensa multidão. Obviamente que dentro desse grupo a evolução foi diferente de escalão para escalão. Será que os realmente mais baixos subiram ou desceram? Não se sabe.

Mas mesmo esse grupo é curioso. Será que o que define o grupo é o nível dos salários? Não! É o tipo de emprego.

 

2. Cada vez?

A Catarina compara dois anos. Talvez seja só eu, mas para mim em português "cada vez mais" significa que há uma repetição, um acumular. Comparando dois anos, apenas podemos saber se subiu ou desceu, não se continuou a subir a descer.

 

3. Mais baixos?

A Catarina apenas refere o salário em relação à média naquele ano, mas a média não é fixa. Entre 50% do salário médio norueguês ou 100% do salário médio etíope, eu diria que o primeiro é mais alto. Mas talvez seja só eu.

publicado por Miguel Carvalho às 14:19
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Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Afinal "quem me anda a foder"?

Na terça-feira, São José Almeida e Maria José Oliveira escrevem no Público, “Canção dos Xutos transformada em manifesto contra Sócrates”.

 
A notícia baseia-se em dois factos:
 
1. Uma montagem vídeo da TVI com imagens de Sócrates e a música dos Xutos.
 
2. Outras duas montagens em vídeo no YouTube com a mesma música, e respectivos comentários aos vídeos.
 
O facto de uma estação de televisão fazer uma montagem vídeo com uma determinada música ‘transforma’ essa música em manifesto contra alguém? Dois vídeos no YouTube são um manifesto político com escala relevante para ser notícia? Ontem de manhã nenhum dos vídeos tinha mais de umas duas mil visitas.
 
A notícia reporta ainda a opinião da banda pela voz de Zé Pedro, o guitarrista:
- Zé Pedro diz que “interpretar esta faixa (…) como um hino contra as políticas do Governo socialista é ‘deturpar’ a intenção do grupo. ‘Não há aqui alvos a abater’”
- “Zé Pedro insiste que qualquer aproveitamento da música para criticar e contestar o Governo não receberá a ‘solidariedade’ dos Xutos.”
- “Zé Pedro não tem dúvidas de que a ideia da TVI foi uma ‘deturpação’ das ‘intenções’ dos Xutos.
- “Zé Pedro, que, diz, até ‘simpatiza’ com o primeiro-ministro José Sócrates”
 
Ora, como é que com aqueles dois factos e com aquela opinião da banda, as duas experientes jornalistas e o jornal Público,
 
- decidem dar aquele título à notícia?
 
- fazem da notícia capa do Público de ontem?
 
- ocupam duas páginas inteiras dentro do jornal com a notícia?
 
- disponibilizam gratuitamente no site do jornal a música para download?
 
- e publicam na íntegra a letra da música?

 

 

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publicado por Carlos Lourenço às 11:16
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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Resposta antiga do Público II

Aqui fica a mais que tardia resposta, a uma réplica de Sérgio Aníbal proporcionada pelo Provedor do Público depois de um contacto meu semelhante a este post.
Como agradecimento ao tempo perdido com a resposta, e por ser um assunto recorrente mas de difícil explicação, dei-me ao trabalho de adaptar um ficheiro com um exemplo antigo a esta questão em concreto. O ficheiro está aqui em formato standard internacional ISO, e aqui em formato .xls para quem usa software com incompatibilidade.

> O leitor tem toda a razão. Na 1ª pág. nunca deveria ter sido escrito que as conclusões surgem num relatório do INE, é falso. No meu texto isso nunca é afirmado, os cálculos são meus, utilizando dados do INE.

Uma nota ao provedor: já se tornou um hábito nas respostas aqui presentes dos jornalistas, haver um reconhecimento de um erro na capa e nos títulos. O facto de o corpo do texto estar correcto não me parece que deva ser dado como atenuante do primeiro erro. Como sabemos a maioria absolutíssima retem as manchetes e não as frases perdidas no texto.

Repito os dois erros técnicos no artigo:

A. Mistura de fontes diferentes
Isto é metodologicamente errado. Se eu quero saber quanto custa fazer uma salada de feijão com cogumelos, devo somar o preço do feijão e dos cogumelos. Imagine-se que eu sei exactamente quanto custa o feijão no Porto (imagine-se que mais barato do que em Lisboa), e exactamente quanto custam os cogumelos em Lisboa (mais barato do que no Porto). Eu não devo somar os dois porque obteria um preço muito baixo mas irreal porque ninguém compra dessas duas fontes. Devo é somar dados maus (mas não-enviesados) dos cogumelos e bons do feijão no Porto (e dizer que fiz as contas para o Porto), ou o mesmo para Lisboa.

B. Agregação: aqui não um erro metodológico em si, mas os resultados obtidos são de tão fraca qualidade que não os deveremos levar a sério, muito menos fazer manchetes de jornais.
O rácio entre despesas em feijão/despesas em cogumelos Shitake é diferente para consumidores pobres e consumidores ricos. Quando não sabemos estes detalhes, sabendo apenas as despesas dos pobres e dos ricos em alimentação no geral, e estamos perante uma variação de preços diferentes no feijão e nos cogumelos, é muito complicado dizer qual foi realmente a variação de preços para uns e outros.
Mesmo sem quaisquer erros de medição, mesmo sem a mistura de fontes, mesmo assumindo quantidades fixas por consumidor, por categoria e por subcategoria (3 hipóteses!), estas taxas de inflação para cada tipo de consumidor calculadas pelo método de S.A. (a vermelho) são muito diferentes das reais (a azul).

>>Antes de mais um fenómeno paranormal nos resultados de Sérgio Aníbal, que lhe deveria ter saltado à vista. TODAS as classes de rendimento sofreram, segundo ele, inflações iguais ou acima da inflação! Ou seja teremos a média (feita sobre os rendimentos) acima da média. Algo com a média de 10, 9, 8, 7, 6 e 5 ser... 5! O que já mostra que as suas contas estão certamente erradas.

>Não há qualquer fenómeno paranormal. Como é explicado no texto, o cálculo da inflação por classes de rendimento que é feito utiliza os pesos na despesa familiar obtidos no inquérito aos orçamentos das famílias 2005/2006. O INE utiliza ainda os pesos obtidos no inquérito de 2000. Por isso, como penso que é referido no texto, e como escrevi num anterior artigo meu, o valor da inflação global usando os orçamentos 2005/2006 é superior à taxa de inflação oficial declarada pelo INE.

1. Claro que há um fenómeno paranormal. A média das médias tem que ser (quase) igual à média absoluta. No ficheiro o número a verde e o a roxo têm que ser (quase) iguais.

2. Sérgio Aníbal diz que não... porque mistura valores de fontes diferentes, neste caso pesos de despesas de 2000 e variações de preços de 2005/06. Na variação do preço da alimentação calculada pelo INE, está incluida a quantidade que o pobre comprava de feijão em 2000. No peso da alimentação no consumo, está incluida a quantidade de feijão que o pobre comprava em 2005/06. Quando S.A. multiplica um pelo outro, está a misturar a mesma variável retirada de fontes diferentes.
Como disse em A., quando usamos um método errado é óbvio que os resultados são errados, e logo não obedecem a propriedades gerais que os resultados correctos obedecem. O que eu escrevi foi, o não cumprimento dessa propriedade indicia que o método era errado, seja pela razão A ou pela B. S.A. diz que não era de esperar esse cumprimento, porque foi usado um método errado. Estamos de acordo. Só não percebo porque não parou aqui, e escreveu o artigo todo.

3. Taxa de inflação superior
Aqui o problema em usar fontes diferentes para a mesma coisa fica muito claro. S.A. diz que a inflação do INE está errada porque usa dados de 2000. Mas para provar a sua tese, ele usa as variações de preços calculados pelo INE, onde esses mesmos dados de 2000 são usados! Isto apenas prova que há inconsistência nos dados (mas isto é óbvio e incontornável), não prova que lado está certo.
Se alguém hoje diz hoje X e amanhã Y, eu sei que ele mentiu. Agora não posso dizer "X é errado, porque ele disse Y", porque poderia fazer exactamente o contrário.
No ficheiro dou dois exemplos simulando os cálculos do artigo. Um onde X estava mais perto da verdade, e outro onde Y estava mais perto. Comparar os valores a castanho e cinzento com o verde (verdadeiro).

>>Apesar de ter que reconhecer que Sérgio Aníbal se deu ao trabalho de fazer algo que provavelmente poucos fariam, não se pode tirar as conclusões que ele tira. Mais uma vez e bem, ele próprio reconhece isso dizendo: "A análise feita pelo PÚBLICO não leva em conta esse nível de desagregação da despesa familiar..." Mas logo a seguir
estraga tudo mostrando bem o seu facciosismo, quando diz: "Ainda poderia acentuar as disparidades do impacto da inflação sobre os diferentes tipos de famílias". Dou-lhe razão, mas não há razão nenhuma para acreditar que seja para cima ou para baixo. Por que será que não escreveu o oposto, que poderia diminuir e até inverter as disparidades do impacto da inflação? Não dava jeito. Como exemplo posso indicar os legumes, que desceram 15%, o que mostra o quão difícil é tirar o tipo de conclusões que o Sérgio quer tirar, com os poucos dados disponíveis que existem.

>Eu estou convicto (foi por isso que escrevi e não por facciosismo, como diz o leitor mostrando como assume que qualquer jornalista está, por princípio, sempre pronto a ldrabar) que, mesmo desagregando, as famílias mais pobres poderiam sair mais prejudicadas. O leitor dá o exemplo dos legumes, mas a verdade é que as maiores subidas (pão, arroz, leite, ovos, massas) são tudo bens a que com toda a probabilidade as famílias mais pobres dão uma maior importância no seu orçamento. De qualquer forma, compreendo a crítica, deveria estar mais claro que é apenas uma convicção do jornalista. Esta questão tem, no entanto, pouca importância na conclusão principal do texto.

4. Facciosismo
O S.A. tem razão para se sentir ofendido, porque facciosismo não é uma acusação simpática. Mas eu concretizei e fundamentei a minha acusação. Agora, a partir de um ÚNICO exemplo relacionado com um ÚNICO jornalista S.A. acusa-me de ASSUMIR (note-se que eu fundamentei a minha crítica) que TODOS os jornalistas estão SEMPRE prontos aladrabar. Três generalizações de uma vez só. Quanto a ofensas gratuitas estamos conversados.


5. Quanto à convicção de S.A. não me devo sequer pronunciar, porque cada um tem a sua. Nunca quis comentar a opinião de ninguém, apenas comento conclusões que acho erradas. Eu próprio não faço a mínima ideia se a coisa subiria ou não.
Quanto à minha crítica anterior, onde dizia que os cálculos feitos no artigo não permitem a conclusão de que os pobres sofrem taxas de inflação mais altas, dou no ficheiro um exemplo (vermelho) onde o cálculo do Público concluiria isso, mas a realidade seria a oposta.

>> Outro aspecto que mostra o quão forçadas são as suas conclusões é o facto de ele chegar ao valor de 3,1% de inflação para as famílias ricas e 3,6% para as pobres. A diferença é ridiculamente baixa e insignificante dados os problemas de agregação. Mais, esta pequeníssima diferença que foi medida em Março (0.5 pp) pode pura e
simplesmente inverter-se em Abril, já que a inflação dentro de cada classe de produtos é altamente volátil (com variações de mais de 1 pp de mês para mês em termos anuais).

> Não considero a diferença ridiculamente baixa e insignificante.

6. Fico na dúvida se me expliquei bem.
Eu não quis dizer que os 0,5% são insignificantes, se assumirmos que são verdadeiros. A questão é, mesmo contando apenas com o problema B, isto é descontando todos os outros erros, estes 0,5% não são minimamente fidedignos. Veja-se a grande diferença entre os valores a vermelho (com erro B) e a azul (reais)! A minha crítica principal passa exactamente por aqui. A manchete do Público é baseada nos primeiros mas a realidade são os segundos.

7. E repito, a isto somam-se os outros erros, e o facto de terem sido apenas usados dados de um mês. No mês seguinte, as conclusões seriam provavelmente outras, ao contrário do que dá a entender a manchete do Público.

> O objectivo principal do texto foi o de comparar qual a inflação registada para uma distribuição da despesa de uma família de baixo rendimento e de outra de elevado rendimento. Os números mostram que ela é maior para os mais pobres, precisamente porque estas famílias gastam proporcionalmente mais em alimentação e habitação, classes em que os preços têm subido mais. Há sempre limitações neste tipo de cálculos, mas penso que as conclusões são correctas e não contêm qualquer tipo de sensacionalismo, que nunca foi o objectivo do texto quando decidimos realizá-lo.

8. Quanto aos "números mostram" já disse tudo o que tinha a dizer.

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publicado por Miguel Carvalho às 22:47
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

A troca (inocente) de um artigo indefinido por um artigo definido.

Palavras do ex-procurador Souto Moura: "O pior que pode acontecer a um PGR é ter "um processo contra o primeiro-ministro do seu País"

Notícia da TVI24: "O ex-procurador Souto Moura diz que o processo Freeport é contra José Sócrates".

 

Nota: Na edição da meia-noite, a "subtileza" foi retirada

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publicado por Oscar Carvalho às 20:05
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