Sábado, 27 de Dezembro de 2014

O Luís Reis Ribeiro prejudica o DN

Depois de ter sonhado há umas semanas que o BCE ia dar dinheiro de borla a toda a gente, o jornalista do Dinheiro Vivo/DN diz agora que o BCE acha que Trabalhadores têm poder a mais e prejudicam empresas. Felizmente já alguém se deu ao trabalho de dar uma olhada no estudo em causa, e de desmontar a... "notícia". Foi o Luís Aguiar-Conraria em Títulos Porreiros.

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publicado por Miguel Carvalho às 15:54
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2014

Um título, dois erros

Quem abre a página do Jornal de Negócios lê isto:

Poder de compra subiu pela primeira vez em três anos

O título da notícia de Eva Gaspar diz um pouco mais, mas é igualmente mau:

Poder de compra dos portugueses subiu pela primeira vez em três anos para 79% da média europeia

Primeiro temos a habitual confusão entre "poder de compra" (seja lá o que isso for), e o PIB per capita em PPP. Não seria tão grave se este não fosse o único documento do Eurostat onde consta uma medida que realmente se aproxima do que as pessoas entendem por "poder de compra", o Actual Individual Consumption. Ou seja, tendo à frente dos olhos a melhor definição de compra que existe, o JNegócios olha para a coluna do lado.

Segundo, quando o meu vizinho perde o emprego e o meu salário é reduzido 20%, não é por a minha desgraça ser menor que o meu rendimento sobe. O JNegócio discorda. Acha que o meu rendimento está melhor. A palavra "subir" dá a entender que se está perante uma subida real, quando os dados são apenas sobre uma subida relativa.

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publicado por Miguel Carvalho às 11:26
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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2014

Bomba Atómica: o Dinheiro Vivo rebenta com as decisões do BCE

Este texto de Luís Reis Ribeiro, não tem ponta por onde se pegue, logo a começar pelo título:

1."BCE quer dar dinheiro à borla a toda a gente".

O BCE não revelou nenhuma intensão clara, para lá de avaliar o que já está a fazer.
O BCE não quer dar, quer emprestar... o que é diferente, e algo que faz desde que foi criado.
Mas não se falou em emprestar, falou-se em comprar títulos de dívida, que a serem comprados seriam comprado a preço de mercado.
E não é emprestar de borla sequer. O BCE já empresta a taxas muito baixas... e não pensa mudar isso. (Ver frase acima)
A toda a gente? Não... O BCE não pensa ter contacto com mais ninguém do que com os bancos ou os mercados financeiros, algo que faz desde que foi criado.

2. ""quantitative easing" (QE), isto é, programas de alívio monetário puro que, no fundo, é ter o banco central a imprimir moeda que depois injeta nas economias, sem cobrar em troca. "

Imprimir moeda, e injetar nas economias, é algo que o BCE faz também desde o primeiro dia.
O não cobrar nada, repito, é mentira.
Por último QE, não tem nada a ver com o que diz a frase.

3. "oferecê-lo às economias: aos governos, aos bancos, às empresas, às famílias."
Oferecer: não.
Governos: não.
Bancos: sim!
Empresas: não.
Famílias: não.

4. " trata de impressão pura de moeda."

E o que será então a impressão impura?

5. "financiamento direto via moeda"

Mas.. um financiamento se não é via moeda, seria via quê? Ouro?

6. "o BCE pode ficar com o lixo e as dívidas de bancos, empresas e Estado"

O BCE nunca ficaria com o lixo (?) e as dívidas dos bancos e do Estado (as empresas nem são para aqui chamadas). O que pode acontecer é que um banco/Estado pode não conseguir pagar, e o BCE fica sem o dinheiro. Mas isto já pode acontecer hoje em dia, porque o BCE tem biliões em activos financeiros no seu balanço.

7. "mutualizando perdas de países mais pequenos"

Os grandes não têm perdas? E são só os países que têm perdas?

8. " o BCE precisa de ter controlo sobre o tamanho do seu balanço, explicou o banqueiro, algo que atualmente parece não estar resolvido."

Como é que não está resolvido, se é o BCE é independente e decide o que faz em termos de empréstimos?

9. "puxar a inflação para próximo de 2%, como está no tratado que institui o seu mandato."

Isto não está no mandato. O que está nos tratados é que tem como objectiva a estabilidade dos preços. Os 2% foram definidos pelo próprio BCE.

10. "É que, no limite, está a dar-lhes dinheiro." (sobre o QE)

Outra vez. Dar e emprestar são diferentes.

11. "O BCE simplesmente adquire os ativos e compensa com emissão de moeda, que fica a circular no sistema. Só o BCE, único emissor de moeda, tem poder para fazer uma coisa destas."

Compensa o quê? Só o emissor é que pode emitir?

12. "Há evidência suficiente de que o QE pode ser eficaz"

Evidence, em português diz-se "prova". É contudo uma evidência que o autor não o sabe.

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publicado por Miguel Carvalho às 18:39
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