Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

Erros por distracção?

A falta de rigor

 

Diz assim o primeiro parágrafo do Código Deontológico dos Jornalistas:

O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade

No entanto, na prática, o relato factual nem sempre é feito com rigor. Mesmo nos jornais de referência.

 

Reparem neste título do Publico (Domingo, 23 de Setembro)

 

NOVO CÓDIGO VAI DIFICULTAR COMBATE AO CRIME VIOLENTO. 

O novo Código do Processo Penal define prazos demasiado curtos para a investigação da criminalidade organizada, diz Cândida Almeida.

 

Neste artigo, transcreve-se a entrevista dada ao PUBLICO e RÁDIO RENASCENÇA pela directora do Departamento Central de Investigação de Acção Penal (DCIAP).

 

Lendo toda a entrevista, não vejo que a entrevistada tenha feito uma declaração tão simplista como a que serve de título. Aceito contudo, que sub-liminarmente, a entrevistada tenha manifestado essa opinião.

O que me parece estranho, é que essa opinião é manifestada pela entrevistada de forma despropositada.  

Pergunta: “Qual é a consequência da publicidade para os inquéritos?”

Resposta:  Na pequena criminalidade  não há problema. Ofensas corporais não exigem segredos de justiça, um acidente de viação, um cheque sem cobertura, também não. Mas na criminalidade organizada e violenta, não é possível cumprir esses prazos que são demasiado curtos.”

 

Mais à frente:

 

Pergunta: “Portanto na sua opinião, a publicidade vai comprometer as investigações?”

Resposta: “Acho que sim, […] as perícias têm que ser feitas são extraordinariamente complexas e morosas. Facilmente estes prazos se esgotam.”

 

Admitamos que a transcrição é exacta,  

Então a entrevistada mistura sistematicamente alhos com bugalhos, quando se lhe pede para falar sobre segredo de justiça ela fala de prazos?... 

 

Admitamos que a transcrição não é exacta,

Houve um erro involuntário na transcrição e a jornalista acaba de demonstrar involuntariamente na prática, que prazos curtos para a execução das tarefas podem conduzir à má qualidade das mesmas. 

 

Acontece: Uma das possíveis causas para os Erros involuntários é a distracção. Ficamos no entanto perplexos com uma distracção que ocorre num tema que é especificamente seleccionado para título do artigo.

 

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publicado por Oscar Carvalho às 12:35
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2 comentários:
De Catarina Sousa a 25 de Setembro de 2007 às 15:26
Óscar,
O problema é que a partir de agora todos os processos são públicos. Ou seja, só ficaram abrangidos pelo segredo de justiça caso o MP ou os sujeitos processuais efectuem esse pedido, que terá que ser aprovado pelo juiz de instrução num prazo de 72 horas.
Creio que, embora com algumas pequenas falhas as declarações fazem sentido. Com o novo CPP os prazos de inquérito e de investigação estão mais condicionados e, em caso de criminalidade violenta, terrorismo (e não só), como todos os processos passam a ser públicos é necessário que se peça o segredo de justiça para não prejudicar a investigação. Pelo que li do excerto, provavelmente os prazos estão também relacionados com esse pedido e com o facto de, ao ultrapassar os prazos de investigação, o novo CPP permitir aos sujeitos processuais assistente , ofendido) a possibilidade de levantar o segredo de justiça e ter acesso, mais rapidamente aos conteúdo do processo, o que pode prejudicar a investigação, especialmente nestes casos de "peixe graúdo".
Espero não estar a dizer uma grande barbaridade, dado pouca experiência, mas é assim que percebo isto. Pelo sim, pelo não consulta os artigos do CPP do 86º ao 89º. Se estiver a dizer alguma barbaridade , com certeza que serei rapidamente corrigida. Beijinhos
De Zé da Burra o Alentejano a 25 de Setembro de 2007 às 17:20
Não quero crer mas começo a desconfia que isto tudo tem um objectivo em vista: mandar alguns presos preventivos prá rua (já condenados ou não) e poupar com isso alguns milhares de euros.

Porém, parece-me que as contas estão mal feitas: de acordo com as próprias estatísticas os presos já são na sua maioria reincidentes, pelo que é natural que voltem ao crime, agora com uma nova força, sabendo que a lei lhes está mais a favor.

Sem falar nos prejuízos que vão provocar nas futuras vítimas, pergunto: será que está estimado o custo pró estado português o ter que voltar a investigar, perseguir, pagar a magistrados e a funcionários para voltarem a julgar e, eventualmente, a colocar na cadeia sempre os mesmos indivíduos? porque são sempre os mesmos e o melhor seria que fossem adoptadas penas mais pesadas, até para compensar todos os garantismos de que os réus já beneficiam.

Como costuma dizer-se no ditado popular: "sai o tiro pela culatra".

Zé da Burra o Alentejano

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