Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Existirá um critério para seleccionar o que vem na primeira página?

Por que razão na primeira página do Público se diz: "Funcionários públicos a caminho do nono ano a perder poder de compra" e na página 6: "Taxa de risco de pobreza baixou no país pelo terceiro ano consecutivo"

Vou partir do princípio que o Público não está a fazer campanha contra o Governo. Então o que é que está por trás das notícias más virem na primeira página e as boas escondidas lá para dentro?

Critérios comerciais?

Será que as notícias são tratadas como "produtos" que devem atingir um mercado alvo? Se for assim,  se o Público fez bem o estudo de mercado, deve ter concluído que há uma apetência dos portugueses, ou pelo menos de um segmento significativo dos leitores, para as notícias más. Estas fazem vender mais jornais!

Ou será que um título deve ser considerado como uma dimensão acessória do "produto"? Uma espécie de "embalagem" que tem por função atraír o cliente, prender-lhe a atenção? Mas lá vamos dar ao mesmo: somos todos masoquistas! Ou, porque também gostamos de ver os outros sofrer, seremos sádicos?

Nenhuma das hipóteses me traz tranquilidade. 

E, no meio disto tudo onde entra o dever do jornalista nos informar? 

É exagero meu, ou o código deontológico dos jornalistas que contém disposições como "O jornalista deve relatar os factos  com rigor e exactidão" e "O jornalista deve combater o sensacionalismo "  ficou tapado com o Plano de Marketing?

publicado por Oscar Carvalho às 17:54
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2 comentários:
De Ricardo S a 16 de Janeiro de 2008 às 20:04
"Saúde: Ministério reduz tempo de espera
Nove meses para operar
Os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que necessitam de ser operados passam a esperar um máximo de nove meses por uma cirurgia, em vez dos actuais 12."



Esta é a notícia da (salvo erro) página 15 do Correio da Manhã de hoje.
Como é uma boa notícia, tem direito a apenas ao canto inferior esquerdo da página e a pouco mais de 10 linhas. Mas se fosse ao contrário (o Governo a aumentar o período de espera) apostava que mereceria primeira página e muito mais do que 10 linhas, com entrevistas a alguns pacientes em espera e opiniões de alguns críticos do Governo. E claro, teríamos um título sensacionalista, altamente crítico do Governo...


Cumprimentos
De Oscar Carvalho a 17 de Janeiro de 2008 às 16:25
Obrigado Ricrdo pela sua adenda.

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