Terça-feira, 1 de Abril de 2008

A notável capacidade de reproduzir disparates sobre o IVA em poucas linhas

O Editorial do Expresso do último Sábado consegue a proeza de conter em poucas linhas a maior parte dos disparates que têm sido ditos por aí desde que o Governo anunciou a descida do IVA para 20 por cento. Ora vejamos:

1. O erro habitual: "O anúncio da baixa do IVA em um por cento do IVA". Mais uma vez, confunde-se "por cento" com "ponto percentual". Já se tornou um hábito, ninguém liga. Em percentagem, o IVA descerá quase 5 por cento ((1/21)*100=4.76). O que é o mesmo que dizer que a taxa de IVA descerá 1 ponto percentual.

2. "Mas, no geral, a população reage com indiferença. Os bens essenciais, como o pão e o leite, sofreram aumentos de mais de 10% nos últimos meses. Os combustíveis é o que se sabe. Definitivamente, a baixa de 1% no IVA não se fará sentir no bolso dos consumidores". Deixem ver se percebi. Como há para aí produtos cujo preço sobe bastante, então um ponto percentual a menos de IVA não se nota nada. Ora, eu noto. Por um bem com preço-base de 100 euros, eu pagava 121 euros. Passarei a pagar 120 euros, pelo que poupo um euro. Se o preço deste bem se mantiver no próximo ano, eu continuarei a poupar esse euro em relação à situação presente de IVA a 21 por cento. Mas se o preço-base deste bem aumentar escandalosamente 10 por cento, para 110 euros, eu pagaria então 133.1 euros. Com o IVA a 20 por cento, pagarei apenas 132 euros, pelo que poupo ainda mais: 1.1 euros. Não se faz sentir no bolsos dos consumidores? No meu faz.

3. "Ninguém sentirá benefícios, salvo talvez algumas empresas". Outro disparate. Todo, mas mesmo todo, o dinheiro que o Estado deixará de receber devido à descida do IVA será um benefício dos privados. Num dos extremos (sectores pouco concorrenciais), o preço final dos produtos ficará inalterado e as empresas apropriar-se-ão do valor correspondente à descida do IVA. No outro extremo (sectores mais concorrenciais), o preço final descerá e o benefício irá integralmente para os consumidores. Mais para um lado ou mais para o outro, a realidade estará algures entre estes dois extremos. Mas, consumidores ou produtores, serão sempre os privados a beneficiar da totalidade dos efeitos desta descida.
Resta saber como serão distribuídos.

Principais Tags: , ,
publicado por Pedro Bom às 15:19
link do post | comentar | favorito
2 comentários:
De ups a 1 de Abril de 2008 às 18:32
Choca-me pensar que acredita piamente que o preço dos produtos vão baixar de 121 para 120 euros!!

Acho que não vivemos no mesmo planeta.
De Pedro Bom a 1 de Abril de 2008 às 19:23
Se ler o meu ponto 3 perceberá que não penso isso.

Comentar post

Autores

Pesquisa no blog

 

Janeiro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts Recentes

O DN a começar o ano em p...

Os conhecimentos mais bás...

Que nome bué da louco, "h...

Para bom observador, meia...

O Luís Reis Ribeiro preju...

Um título, dois erros

Bomba Atómica: o Dinheiro...

O Público anda com a cabe...

Uma pequena história

Verificar fontes é para i...

Arquivo

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Março 2015

Fevereiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Principais Tags

correio da manhã(13)

desemprego(15)

diário digital(24)

diário económico(9)

dn(82)

economia(65)

estatísticas(22)

expresso(26)

inflação(13)

lusa(15)

matemática(12)

percentagens(26)

público(102)

publico(9)

rigor(9)

rtp(20)

rudolfo(16)

salários(10)

sensacionalismo(135)

sic(11)

todas as tags

Contacto do Blogue

apentefino@sapo.pt

Outros Blogs

subscrever feeds