Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

O petróleo que não polui

Há dias foram os carros a hidrogénio, esta semana os carros eléctricos. Todos os órgãos de comunicação social que verifiquei chamam-lhes carros "sem emissões poluentes" e outros disparates do género. (O primeiro-ministro junta-se aparentemente ao disparate quando diz que eles estariam hoje totalmente isentos da parte ambiental do IA).

Últimos dados na página da DG Energia e Geologia sobre a origem da produção eléctrica em Portugal (2006): dos 49,0 TWh produzidos 34,6 TWh são de origem termoeléctrica, ou seja combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás natural)... cuja queima é obviamente uma das maiores fontes de "emissões poluentes".

 

Também é curioso haver quem diga que o IA seria 30% mais baixo.. e quem diga 70%. O Diário Digital chega a ter as duas versões! "Sócrates quer cortar 30% do imposto no carro eléctrico" e "pagar menos de 30 por cento do actual imposto" ou seja corte de 70%. A verdadeira é a segunda.

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publicado por Miguel Carvalho às 13:31
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16 comentários:
De Freire de Andrade a 9 de Julho de 2008 às 15:49
Muito bem! Há dias escrevi no meu blog:
"Ainda as energias renováveis
A SIC-Notícias noticiou com relevo o aumento de produção de automóveis movidos a electricidade. Até aqui, tudo bem, constitui indubitavelmente um progresso sob o aspecto do combate à poluição em meio urbano. Já me parece muito duvidoso que se possa dizer, como afirmou a jornalista: "Além de termos aqui um contributo para a diminuição da dependência energética, ajudam também o desenvolvimento económico." Não haverá aqui dois equívocos?

Primeiro: Os automóveis continuam a necessitar da mesma energia para se moverem, ou ainda talvez um pouco mais, dado que as baterias aumentam normalmente o peso. Em vez de ser energia dos combustíveis líquidos, gasolina, gasóleo ou gás de petróleo liquefeito será energia eléctrica. Mas esta terá de ser produzida e a dependência energética manter-se-á. Mesmo que se pretendesse dizer "dependência energética de energia importada", ou seja, "dependência do exterior", ou então "dependência dos combustíveis fósseis", tudo depende do modo de produção da energia eléctrica necessária; se for em centrais eléctricas que consumam combustíveis fósseis, a dependência é a mesma. Poderá eventualmente ser ligeiramente menor se a eficiência dos motores eléctricos for mais elevada ou, pelo contrário, algo maior se as perdas no transporte forem importantes.

Segundo: A produção de carros eléctricos contribui para o desenvolvimento económico? Só se fossem mais baratos e em consequência pudesse aumentar a procura. Se se limitarem a substituir o mesmo número de automóveis movidos a combustíveis, não vejo como poderá ter qualquer influência no desenvolvimento.

Já outra coisa seria o "carro a água" que foi há dias anunciado, também na TV, como uma realidade: O sistema limitava-se a decompor a água em hidrogénio e oxigénio, utilizando em seguida o hidrogénio como fonte de energia, dando novamente origem a água. Até referia o número de quilómetros que o carro podia andar com 1 litro de água. E o jornalista anunciou tudo isto sem se rir. Resta saber em que sessão da Assembleia da República foi revogada a 2.ª Lei da Termodinâmica. Estariam resolvidos os problemas da crise energética e, por falta de procura, os preços do petróleo cairiam a pique.
De António Venâncio a 9 de Julho de 2008 às 18:35
Completamente de acordo, quer com o texteo quer com o comentário. A resolução do problema energético, é complexa, e requer o esforço de todos, quer na procura de alternativas reais ao nível da energia primária, quer na eficiÊncia e redução dos consumos.
Qunto ao veículo eléctrico, duvido que al longo de todo o ciclo de vida, se comparado quer o impacto ambiental quer o consumo energético, incluindo a necessária produção e reciclgem de baterias, e as perdas no transporte de energia.
De salientar que, cada veículo eléctrico vai contribuir para anecessidade de a EDP produzir mais enrgia eléctrica, e que esse aumento a curto prasso só poderá ser feito recorrendo a mais energia fóssil.
De Marco Lameirinhas a 10 de Julho de 2008 às 12:43
bom artigo
De bicodeprata a 10 de Julho de 2008 às 14:38
novamente vemos mais um comentário de Sócrates no pais das maravilhas, (ainda não me esqueci do biocombustível que o mago de Sócrates iria a produzir, palavras ditas no congresso da republica). Para implementar uma medida para o cambio de viaturas tem-se que fazer um plano, criar uma organização, criar uma infra-estrutura , logo após vem os carros movidos a electricidade , que seja dito de passo não tem resultado em nenhum pais, muito mais avançados tecnologicamente que nós. e como se diz neste blog 35% da energia eléctrica é gerada por combustível fóssil em qualquer da suas variantes. Então o que sucede o carro eléctrico vai a consumir electricidade » vai sair mais caro reabastecer » produz-se mais contaminação (aumento da queima de combustível fóssil nas centrais termoeléctricas » aumenta o gasto da factura petroleira » aumenta dependência dos países exportadores de petróleo Donde esta a vantagem?. O primeiro ministro Sócrates deveria por a trabalhar primeiro o cérebro antes de por a funcionar a lingua.
De bicodeprata a 10 de Julho de 2008 às 14:42
novamente vemos mais um comentário de Sócrates no pais das maravilhas, (ainda não me esqueci do biocombustível que o mago de Sócrates iria a produzir, palavras ditas no congresso da republica). Para implementar uma medida para o cambio de viaturas tem-se que fazer um plano, criar uma organização, criar uma infra-estrutura , logo após vem os carros movidos a electricidade , que seja dito de passo não tem resultado em nenhum pais, muito mais avançados tecnologicamente que nós. e como se diz neste blog 35% da energia eléctrica é gerada por combustível fóssil em qualquer da suas variantes. Então o que sucede o carro eléctrico vai a consumir electricidade » vai sair mais caro reabastecer » produz-se mais contaminação (aumento da queima de combustível fóssil nas centrais termoeléctricas » aumenta o gasto da factura petroleira » aumenta dependência dos países exportadores de petróleo Donde esta a vantagem?. O primeiro ministro Sócrates deveria por a trabalhar primeiro o cérebro antes de por a funcionar a lingua.http://apentefino.blogs.sapo.pt/images/mood/EMOTICON_CRY.png
De Miguel Carvalho a 10 de Julho de 2008 às 14:53
Não são 35%, são 70% de fonte fóssil.
E quanto ao aumento da dependência energética, a coisa não é assim tão clara. O que tenho lido é que os motores eléctricos são bem mais eficientes.. só o transporte e o armazenamento é que é pior. Contudo tudo aponta para que o balanço energético/ambiental seja positivo... ou melhor menos negativo.
Há contudo o problema do custo, e a tecnologia ainda é (será sempre?) muito cara.
Pessoalmente acho que há soluções bem mais simples, baratas, e de eficácia garantida, mas isso já não tem nada a ver com o post.
De bicodeprata a 10 de Julho de 2008 às 17:30
miguel carvalho
Falar de eficiência energética é a quantidade de energia kcal que produz para gerar processo, nas maquinas se mede em cavalos de vapor de força, os mais eficiente a produzir energia são as células dos organismos vivos não chegam a 70%. as maquinas mas eficientes está por 30 40%, ainda que difícil a comparação entre eficiência de um carro a electricidade e um carro a combustão interna o carro a gasolina neste caso é mais eficiente em termos energéticos (não falamos de poluição), quer dizer que por cada unidade X de energia o carro recorre X mt , a uma determinada velocidade . Se falamos em custos de produção da energia o carro a gasolina é muitíssimo mais barato. falando nos termos a grande escala. Não é lógico produzir energia eléctrica a traves de energia fóssil , para logo ser consumida no carro eléctrico , não é eficiente, se se obtém energia eléctrica a traves de energia solar ou eólica já ali existe eficiência e o objectivo pretendido não existe cause poluição, por exemplo um panel solar e eficiente menos de 10%, explico: de 100% da energia solar recebida só se produz 10% de electricidade. por enquanto os carros híbridos são a melhor alternativa, (não a ideal). e os carros com células eléctricas que funcionam com hidrogénio , se a electricidade que se utiliza para criar hidrogénio provem do sol o do ar, ou barragens. essa seria mas eficiente e menos poluente.
De pedrito1974 a 11 de Julho de 2008 às 00:15
Parabéns pelo teu magnífico blog! Fico à espera de uma visita e de um comentário ao meu "Tudo e mais alguma coisa!"

Felicidades
De Freire de Andrade a 11 de Julho de 2008 às 22:08
Mais uma achega para a discussão (do meu blog):
A assinatura de um acordo do estado português com a Renault-Nissan para experimentação do apoio em infra-estruturas para automóveis eléctricos foi ocasião de sessão quase solene com a presença do nosso primeiro-ministro e do ministro da economia. Não digo que tenha sido despropositado ou que se possa acusar o governo mais uma vez de aproveitar a ocasião para propaganda política. Os automóveis movidos a electricidade, seja, como neste caso, por meio de baterias, seja por meio de células, podem ser uma boa alternativa para transportes urbanos por não poluírem localmente. E faço questão de sublinhar “localmente”, porque isso não quer dizer que não causem poluição a montante, na geração de electricidade, mas não só, também na produção das baterias.
Vem isto a propósito da notícia veiculada pela TVI há 2 dias. Segundo o comentador António Perez Metelo, os novos carros eléctricos (não confundir com os velhos carros eléctricos da Carris, a que Cesariny chamou de “amarelíssimos”) representam “um novo paradigma”, tendo o jornalista acrescentado que permitem utilizar “uma energia mais barata e sobretudo mais limpa”. Perez Metelo concordou, dizendo que constituem uma “alternativa limpa e competitiva”.

Bem gostava que tivessem razão. Mas vejamos:
Para estes automóveis constituírem “um novo paradigma” seria necessário que a energia eléctrica de que se alimentam fosse tão abundante como são ainda actualmente os combustíveis fósseis e não dependesse maioritariamente destes para a sua produção, o que não acontece neste momento nem parece fácil que venha a acontecer num futuro próximo.
À falta de dados, que já procurei sem êxito (talvez por culpa minha), duvido muito que a energia com que se alimentam os carros eléctricos seja mais barata do que a proveniente da queima da gasolina ou do gasóleo, mesmo com as subidas de preços recentes, porque a electricidade com origem no petróleo tenderá a subir tanto como os combustíveis.
A “alternativa limpa” é, como vimos, apenas limpa no local da utilização, mas não necessariamente no da produção da energia.
E “competitiva”? Gostava muito que Perez Metelo o confirmasse com números.
Entretanto resta-nos esperar pela fusão nuclear, esperança adiada de energia abundante e barata.
De jj.amarante a 18 de Julho de 2008 às 02:08
Gosto da exactidão deste blogue, na maioria dos posts que tenho lido. Há contudo aqui um pequeno deslize, não sei se dalguma gralha da DGEG : se está a falar de valores anuais relativos a 2006, a unidade é o TWh e não o GWh . Num dia gastamos normalmente mais do que 100 GWh . Em 2006 e anos próximos temos importado à volta de 15% da electricidade consumida pelo que os 49 TWh dizem respeito ao consumo nacional e não à produção eléctrica nacional. Esta observação aumenta um pouco a percentagem térmica. Pode ver muitas estatísticas no site da REN , por exemplo em http :/ www.centroinformacao.ren.pt /portal electricidade_centro-informacao_informacao-exploracao_07.asp
De Miguel Carvalho a 18 de Julho de 2008 às 10:46
Obrigado pelo comentário.
Tem toda a razão são TWh e GWh. O erro advem apenas do facto do ficheiro da DGEG usar estranhamente a vírgula como separador dos milhares em vez do ponto. Como o que estava em causa era percentagem da origem fóssil e não a quantidade em si, nem me lembrei de pôr em causa a apresentação escolhida pela DGEG... Embora irrelevante para o ponto a que queria chegar, vou obviamente corrigir o post.

Por outro lado não é de modo nenhum verdade que os 49 não correspondam à produção.
Dados da DGEG, Produção Bruta de Energia Eléctrica (2006) Total: 49041 GWH.
O consumo final tem por coincidência um valor semelhante, 48,5TWh (o resto é perdido na produção, transporte, etc...).

Já agora antes que alguém comente também. Nós nem deveriamos estar preocupados com a % fóssil na produção total (como eu fiz no post e você faz no comentário), mas sim no consumo "total" (final + consumo das centrais, transporte, etc...). A questão é que não havia dados sobre a origem da energia importada. De qualquer modo o essencial é a elevada percentagem de electricidade de fonte fóssil.
De jj.amarante a 18 de Julho de 2008 às 11:25
Realmente o ponto importante é a percentagem de energia fóssil que é elevada e não nos devermos esquecer que a energia eléctrica só é globalmente limpa quando as suas fontes também são limpas.

Os 49 TWh correspondem realmente a produção pois se há consumo tem que haver produção equivalente. O que não correspondem é à "produção eléctrica em Portugal" pois nesse ano de 2006 importámos bastante energia, conforme consta nas estatísticas da REN e certamente da DGEG
De Miguel Carvalho a 18 de Julho de 2008 às 12:07
Vá a http://www.dgge.pt/, do lado direito Estatísticas e Preços, depois Energia Eléctrica -> Produção e Consumo.
No ficheiro tem Produção Bruta de Energia Eléctrica (ANTES das trocas com o exterior). Total em 2006: 49041GWh

Ou seja é a produção eléctrica NACIONAL.

A energia produzida em Portugal mais a importação líquida ascende a 54.5TWh.

E não, não tem que haver correspondência entre produção e consumo final. Há desperdícios no transporte e distribuição, há consumo das próprias centrais, etc....
De jj.amarante a 19 de Julho de 2008 às 00:34
Verifiquei que os 49 TWh são o valor que realmente consta no site da DGGE para a produção eléctrica nacional em 2006. Eu tinha visto o número no site da REN que referi, no valor acumulado do mês de Dez/2006, onde o valor é um pouco diferente. Pelo que me disseram na REN , as definições usadas para o apuramento dos números são diferentes na REN e na DGGE pelo que o facto de os números serem diferentes não significa que estejam errados.
De Miguel Carvalho a 19 de Julho de 2008 às 16:53
Claro que há sempre critérios diferentes de medida.
E quem pôs em causa os números de outrém não fui eu...
De maria a 4 de Agosto de 2008 às 22:03
mentira

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