Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007

Tendência para exagerar

No caderno de Economia do Expresso do último Sábado, e sob o título “Eles falham muito”, escrevem João Silvestre e Ana Sofia Santos o subtítulo “As projecções do Governo pecam por excesso de optimismo”. A certa altura é-nos dito que “no crescimento do produto interno bruto (PIB) há uma tendência para exagerar”. E passam a explicar: “na última década, apenas por quatro vezes as projecções do Governo inscritas no Orçamento foram ultrapassadas”. Ora, considerar 6 projecções erradas por excesso, num total de 10 possíveis, uma “tendência para exagerar” é já bastante abusivo.

Mas, se examinarmos a tabela onde nos convidam a “descobrir as diferenças” imediatamente descobrimos que duas daquelas seis projecções (para 1999 e 2004) se encontram na forma de intervalo de confiança, que em ambos os casos incluem o valor que realmente se veio a verificar. Bem, eu chamo a isto uma estimativa acertada.

Façamos então as contas. Em 10 projecções, 4 erraram por defeito, 4 erraram por excesso e duas acertaram. Mais, nos dois intervalos de confiança acertados o valor real veio a situar-se mais próximo do limite superior do que do inferior; ou seja, estivesse este intervalo na forma de estimativa pontual e o erro seria também por defeito, o que viraria o marcador para 6-4 a favor do excesso de pessimismo. Hum, cheira-me que nos jornalistas do Expresso existe uma certa... ai, como é que se diz?... isso, tendência para exagerar.

 

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publicado por Pedro Bom às 18:06
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4 comentários:
De Miguel Carvalho a 23 de Outubro de 2007 às 11:02
De facto, não ali nada que lhes dê razão.
Seria era curioso fazer o mesmo para a inflação, acho que aí o Estado sairia pior. Mas isso tem razões para ser...
De Pedro Bom a 23 de Outubro de 2007 às 12:29
E tens toda a razão. Tu e os jornalistas do Expresso, justiça seja feita. Em apenas duas (para 2002 e 2004) de dez projecções para a última década o valor efectivo foi tocado de raspão pelo limite superior do intervalo de confiança. Em todas as outras, o Governo dá-lhe muito por baixo. Isto admitindo o deflator do consumo privado como medida de inflação, como o fazem no artigo em questão.
De Pedro Bom a 23 de Outubro de 2007 às 13:30
Ah, e a tua última observação também é correcta. De facto, existem razões para subestimar o valor da inflação... enquanto houver alguma credibilidade nessas estimativas.
De Miguel Carvalho a 23 de Outubro de 2007 às 14:13
Credibilidade é zero.
Mas é difícil sair desta situação, onde toda a gente já dá os 0.5pp de desconto

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