Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Do baú

Ao arrumar os ficheiros no computador dei de caras com um e-mail enviado à TVI no final de Julho do ano passado, ou seja pouco antes deste blogue ter sido iniciado. Como era de esperar não obtive qualquer resposta ao disparate que então tinha catado, tal como não tinha obtido nas outras ocasiões em que escrevi a um órgão de comunicação social.

Foi em parte por sentir que estes e-mails caiam sempre em saco roto, que propus o blogue aos meus co-autores. Escusado será dizer que os jornalistas passaram a dar uma maior atenção às catadelas. E aqui fica um "viva!" à blogosfera.

 

O e-mail não tem hoje qualquer interesse, fica apenas como mais um registo do desmazelo com que se fazem notícias transmitidas em prime time.


Os órgãos de comunicação têm um papel fundamental na democracia, mas também têm que ter muito cuidado com o poder que possuem. Uma "mentira" dita num jornal da TVI será ouvida por milhões de pessoas, e nunca será desfeita.
Na semana passada numa peça sobre o preço dos medicamentos genéricos em Portugal foi dito, tanto pelos pivots como pelo jornalista da reportagem, que Portugal teria os medicamentos mais caros da Europa. Para chegar a tal conclusão (dada como mais do que segura pelo jornalista) a reportagem referia-se a um gráfico que tinha sido apresentado num estudo, onde se via que Portugal era o único país da Europa onde o peso dos genéricos medido em Euros era maior do que medido em volume de vendas. Um exemplo muito simples para contrariar o raciocínio do jornalista:

Portugal:
medicamento A : preço 10 vendas 10 - genérico A : preço 8 vendas 10
medicamento B : preço 2 vendas 20 - genérico B : preço 1 vendas 1
Peso dos genéricos em EUROS : 37% em volume de vendas : 27%


Espanha:
medicamento A : preço 10 vendas 20 - genérico A : preço 9 vendas 1
medicamento B : preço 2 vendas 10 - genérico B : preço 2 vendas 10
Peso dos genéricos em EUROS : 12% em volume de vendas : 27%

É óbvio que Portugal tem os preços mais baixos, mas o jornalista da TVI teria tirado a conclusão contrária.

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publicado por Miguel Carvalho às 18:52
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