Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Não dar uma para a caixa

O jornal é o DN e o jornalista é o incontornável Rudolfo Rebêlo. Eis o que me veio à rede no artigo de hoje:

 

1. "Pelo terceiro ano consecutivo os portugueses perderam poder de compra em 2007".

Custa assim tanto deixar claro que esta perda é relativa ao resto da União Europeia? Sobre isto, já tudo foi dito aqui.

 

2. "Portugal é um dos países da Europa mais caros para viver, ocupando o 18º lugar no ranking das nações com os preços mais elevados, entre uma lista de 37 países".

Primeiro, é dos mais caros, mas ocupa a 18ª posição em 37 países. É o que se chama um "pódio de 18 lugares"... Ainda por cima o nível de preços em Portugal até está bastante abaixo da média europeia. Segundo, porque é que o Rudolfo não comparou apenas com os países da zona euro, como fez com o "poder de compra"?! Nesse caso seria o 3º mais barato. Mais barato só mesmo Malta e Eslovénia.

 

3. "Há três anos que Portugal mantém o nível de preços da alimentação (e serviços) face à média da UE 27".

Ah, agora o Rudolfo já fala em termos relativos! Está a melhorar, sem dúvida. Mas interrogamo-nos se o teria feito caso o nível de preços tivesse subido em relação à média europeia, como o não fez com o poder de compra. E, "alimentação"? Então e um pneu? E um sofá? E uns sapatos? Não são alimentos, não são serviços, são o quê?

 

4. "Ou seja, medido com base nos gastos efectuados pelas famílias em bens e serviços (consumo), o poder de compra é apenas 82% da média da União Europeia a 27".

Mas que sentido é que faz medir o "poder de compra" usando o consumo privado? Se um japonês me emprestar dinheiro para importar um carro do Japão, o meu consumo aumenta, mas quer isso dizer que tenho mais poder de compra? E se eu decidir não gastar parte do meu salário para emprestar a um mexicano, quer isso dizer que perdi poder de compra?

 

5. "Apesar de os preços nas lojas e nos serviços estarem 43% acima da média da União - o que significa uma carestia de cerca de 60% superior a Portugal -, o poder de compra dos dinamarqueses está 12% acima da média da UE 27".

Com que então, 60%... O Rudolfo pega nos níveis de preços dinamarquês (143) e português (84), tira a diferença e (sem dividir pelo nível de preços português) chama-lhe percentagem. Claro que a percentagem correcta é perto de 70%, não 60%. Mas o mais curioso é termos lido, há uns tempos, um comentário refilão do próprio Rudolfo a vangloriar-se de não padecer dessa maleita tão comum entre jornalistas que é não saber calcular percentagens. Cá temos a prova.

Além disso, como escrevi no ponto 4, os 12% de que nos fala referem-se ao diferencial relativo do consumo e, portanto, não fazem sentido enquanto diferença de poder de compra. Lá por os dinamarqueses pouparem uma grande parte do que produzem, isso não significa que perdem poder de compra.

 

6. "O poder de compra no Grão-Ducado do Luxemburgo estava (em 2007) cerca de 47% acima da média e, mesmo assim, estão mais "pobres"".

Pois claro, tinham um rendimento real 154% superior à média europeia em 2005, e 167% em 2006 e 2007, e o Rudolfo ainda nos quer convencer que ficaram mais pobres...

publicado por Pedro Bom às 16:42
link do post | comentar | favorito
2 comentários:
De Rudolfo Rebêlo a 26 de Dezembro de 2008 às 18:00
Pedro Bom: A última vez que respondi ao seu comentário, "comeu e calou", lembra-se? Você continua a não ler os textos. Continua à desgarrada. E, a partir daí trunca, troca, enfim... É que lá, em todo o lado está suficientemente explícito que a comparação não é interna... aliás a comparação exterior é mesmo o motivo do texto! É inacreditável como você olha para a árvore e não para a floresta... Quando alguém aponta o dedo para a Lua, o tolo olha para a ponta do dedo. Assim está você. Um delírio!
De Rudolfo Rebêlo a 27 de Dezembro de 2008 às 17:37
Bom, continuando, rapidinho, vamos "formando" o Pedro Bom. Confesso que não sei, onde o PB vai buscar os 60% que escreve (tirar a diferença?) nem percebo muito bem o último ponto... é que se em 2007 estavam 47% e em 2006, 67% e não entende a "ironia"... enfim, talvez o PB seja mesmo de chumbo, muito pesado de entender.
Um abraço,
Rudolfo,
PS. Estava com saudades suas. Pena, foi não responder ao último comentário (aqui há uns meses) que prova que você trunca ou não lê os textos (ou então não entende, apesar de dar aulas sobre o capítulo 5 e do "contributo do défice externo"... Por falar disso: já lá chegou? Diga de sua justiça.

Comentar post

Autores

Pesquisa no blog

 

Janeiro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts Recentes

O DN a começar o ano em p...

Os conhecimentos mais bás...

Que nome bué da louco, "h...

Para bom observador, meia...

O Luís Reis Ribeiro preju...

Um título, dois erros

Bomba Atómica: o Dinheiro...

O Público anda com a cabe...

Uma pequena história

Verificar fontes é para i...

Arquivo

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Março 2015

Fevereiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Principais Tags

correio da manhã(13)

desemprego(15)

diário digital(24)

diário económico(9)

dn(82)

economia(65)

estatísticas(22)

expresso(26)

inflação(13)

lusa(15)

matemática(12)

percentagens(26)

público(102)

publico(9)

rigor(9)

rtp(20)

rudolfo(16)

salários(10)

sensacionalismo(135)

sic(11)

todas as tags

Contacto do Blogue

apentefino@sapo.pt

Outros Blogs

subscrever feeds