Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

O fim do mundo é já amanhã

A sede da desgraça corre nas veias de muita gente, e a Catarina Almeida Pereira do DN aí está para a alimentar. Assina hoje um artigo com o título Salários baixos estão cada vez mais baixos. Um título, três afirmações infundadas (de acordo com o próprio texto! nem verifiquei a fonte).

 

1. Salários baixos?

O estudo foca-se aparentemente em metade dos trabalhadores portugueses. Possivelmente os salários mais baixos nem foram incluídos no estudo.

O grupo ao qual a Catarina chama "salários baixos" tem 940 mil trabalhadores,  uma imensa multidão. Obviamente que dentro desse grupo a evolução foi diferente de escalão para escalão. Será que os realmente mais baixos subiram ou desceram? Não se sabe.

Mas mesmo esse grupo é curioso. Será que o que define o grupo é o nível dos salários? Não! É o tipo de emprego.

 

2. Cada vez?

A Catarina compara dois anos. Talvez seja só eu, mas para mim em português "cada vez mais" significa que há uma repetição, um acumular. Comparando dois anos, apenas podemos saber se subiu ou desceu, não se continuou a subir a descer.

 

3. Mais baixos?

A Catarina apenas refere o salário em relação à média naquele ano, mas a média não é fixa. Entre 50% do salário médio norueguês ou 100% do salário médio etíope, eu diria que o primeiro é mais alto. Mas talvez seja só eu.

publicado por Miguel Carvalho às 14:19
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Terça-feira, 21 de Outubro de 2008

Os desiguais números da desigualdade

Expresso, Público, Diário Digital (e certamente muitos outros que não verifiquei), todos transcrevem a notícia da Lusa a propósito do estudo da OCDE sobre desigualdade de repartição de rendimentos:

 

"Os autores do estudo colocam a Dinamarca e a Suécia à frente dos países mais justos, com um coeficiente de 0,32, e o México no topo da tabela dos mais injustos (0,47), seguido da Turquia (0,42) e de Portugal e dos Estados Unidos (ambos com 0,23)."

 

Não faço ideia onde foram buscar estes números, mas eu fui aos dados do relatório e verifiquei que a ordem de desigualdade (usando o índice de Gini) está, de facto, correcta, mas os números são (quase) todos diferentes: Dinamarca e Suécia (de facto, e como seria de esperar, no fim da tabela) têm 0.23 (e não 0.32), México (no topo) tem 0.47 (este está certo), Turquia tem 0.43 (e não 0.42), Portugal tem 0.39 (e não 0.23) e USA tem um pouco menos, 0.38 (e não 0.23).

 

Pequenos erros de transcrição são perfeitamente normais, não é isso que distingue o bom e o mau jornalismo, mas será que ninguém reparou que, com 0.23, Portugal e USA seriam mais "justos" do que Suécia e Dinamarca, se estes tivessem 0.32? Público, Expresso, Diário Digital e sei lá quem mais, todos transcreveram a notícia e ninguém reparou no óbvio? Ou nem sequer leram?

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publicado por Pedro Bom às 12:35
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Sábado, 24 de Maio de 2008

Aldrabice e desonestidade estão a agravar-se no Público

1. Pobreza e desigualdades sociais estão a agravar-se em Portugal diz a capa do Público de hoje. Como este jornal de referência já nos tem habituado, não há um único resquício de verdade nos títulos principais. Repare-se no tempo verbal, o jornal não diz que há pobreza ou desigualdade, diz que elas estão a agravar-se.

Pobreza: nas páginas 2 e 3, onde este tema é tratado só há uma única referência à evolução da pobreza... e indica exactamente o contrário. Diz o autor do estudo em causa, que os índices melhoraram de 2004 para 2005. A subida é irrelevante por ser pequena e ser apenas de um ano, mas quem diz que a coisa está a piorar é o Público.

Desigualdade: o título interior apenas diz que Portugal "continua a ser" um país com desigualdades. Houve aqui sim um agravamento, mas de 2000 para 2004! Nós estamos em 2008, e o Público lá saberá porque usa o presente na capa. (Mais uma vez as medidas mais recentes até indicam uma diminuição numa outra medida de desigualdade - mas altamente correlacionada com o índice de Gini - o rácio dos rendimentos do 20º e do 80º percentil, mas a melhoria é insignificante e irrelevante... apenas questiono a atitude do Público).

 

2. A conclusão sensacionalista que os pasquins gostam de tirar daqui é que "os pobres estão cada vez mais pobres". Não há absolutamente nenhuma razão para que isto seja verdade, quando a desigualdade aumenta. É o que faz o Portugal Diário, que também lá saberá porque usa o presente quando fala de valores de 2004.

 

3. Correndo o risco de fugir um pouco ao âmbito deste blogue, questiono-me ainda o porquê de nenhum jornal ter notado que o relatório indicava que em 2005 Portugal estava a meio da tabela em termos de proporção da população que não tem capacidade para ter uma refeição razoável em dias consecutivos (estando em melhor situação que a Áustria, a Alemanha, a França e a Inglaterra)? Por que não nos informam que Portugal é o 6º com menos famílias com dívidas em atraso? Por que não notam que Portugal é o 2º país (apenas atrás da Suécia) onde há menos famílias sem capacidade para responder a despesas inesperadas? Sensacionalismo barato.

publicado por Miguel Carvalho às 11:54
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