Segunda-feira, 16 de Março de 2015

Que nome bué da louco, "helicópteros de dinheiro", vou usar já.

Eu entendo que a imagem de helicópteros a atirar dinheiro seja apelativa, e que o facto de o termo helicopter money existir mesmo em economia monetária, tenha dado vontade à Patrícia Abreu de escrever um texto intitulado "Saiba como ganhar com os helicópteros de dinheiro do BCE" no Jornal de Negócios. Contudo, e por muito que se tenha esforçado com várias referências gráficas a essa imagem como "o helicóptero levantou voo", "atirar dinheiro para a economia", "provocou um vórtice", "o helicóptero da Fed esteve muitos anos no ar" e "na Zona Euro, só agora descolou" (isto tirado apenas do pequeno resumo que a versão online mostra... imagino que continue), o que está a acontecer na Zona Euro nada tem a ver com helicopter money.

A ideia essencial é imprimir moeda que vá parar directamente às mãos das famílias, estimulando a procura, e isso não está a acontecer. O BCE não está a dar dinheiro, está sim a comprar activos financeiros, algo que faz desde o primeiro dia sendo que desta vez o faz em larga escala, comprando títulos de dívida pública e aumentando a moeda em circulação. Enquanto eu e a Patrícia não recebermos dinheiro na carteira sem termos de pedir um empréstimo ou vender um activo financeiro, não estamos perante helicópteros de dinheiro.

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publicado por Miguel Carvalho às 11:14
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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

A Alemanha tem mais criminosos que o Luxemburgo!

Pudera, tem muito mais gente!!

 

O raciocínio é demasiado complexo para o Expresso e o Diário Digital que têm esta pérolas:

Portugal: 5º maior défice comercial da UE

Zona Euro: Portugal regista 5º défice comercial mais alto

com a agravante do Diário Digital não saber contar (Portugal está em 4º) ou achar que o Reino Unido faz parte da zona Euro. Ter o 5º maior défice comercial nada nos informa sobre o estado do dito cujo, porque é preciso compará-lo com o PIB de cada país. Tal como é preciso comparar o número de criminosos com o tamanho da população.

A situação é melhor ou pior do que aquilo que os títulos dão a entender? Não sei, não vi os dados, e quem é suposto informar-nos também não.

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publicado por Miguel Carvalho às 15:06
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Os pontos nos i's

Comprei finalmente o i, ainda pouco li mas já apanhei dois disparates.

 

1. Enrique Pinto-Coelho e Filipe Morais referem-se ao Terreiro do Paço como "a maior praça da Europa". Não é preciso ir até à Rússia, na Itália existe uma praça que é mais do dobro. É totalmente irrelevante para a notícia em causa, só não percebo porque é que há jornalistas que adoram apimentar as notícias com informações totalmente laterais que ouviram numa conversa de café.

 

2. Na secção Dinheiro fazem-nos crer que "desde 1995 que os consumidores europeus não gastavam tão pouco num trimestre". Mais à frente dizem-nos que as exportações e as importações "estão no valor mais baixo em 14 anos". As afirmações são tão ridículas que nem me dou ao trabalho de ir buscar números. Provavelmente referem-se à maior queda desde 1995, o que faz com que o i entre no clube dos jornais onde há jornalistas económicos que não percebem que a maior queda de sempre nada tem a ver com o nível mais baixo de sempre... ou seja aos outros todos.

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publicado por Miguel Carvalho às 19:03
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Sábado, 16 de Maio de 2009

Vamos abrandar abrandamente o abrandamento?

Em tempos havia uns livros de BD em que uns simpáticos estrumpfes trocavam metade das palavras que diziam, por palavras derivadas da palavra "estrumpfe".

Alguns jornalistas portugueses têm um problema semelhante com o "abrandar", tudo abranda. Alguns por distracção, outros por desconhecimentos básicos de português (eu já aqui pus a definição da palavra do dicionário), outros por desconhecimentos básicos de matemática, e ainda há aqueles que aproveitam o interpretação vaga da palavra a seu belo prazer.

Abrandar significa andar mais devagar, crescer mais lentamente, desacelerar, diminuir a velocidade. (Repito já agora, estatisticamente é de esperar que qualquer variável "abrande" à volta de metade das ocasiões). Mas o "abrandar" é por vezes usado para dar a entender que algo diminui quando isso não é verdade. Ou quando a aceleração diminui, o que também não é um abrandamento.

 

Hoje o Expresso ultrapassa todas as deturpações do "abrandar". Numa situação em que o PIB português recua, e recua mais depressa do que tinha recuado, a capa fala de um "abrandamento da economia". Um belo eufemismo.

 

Caro estrumpfes, tenho que ir estrumpfar o abrandamento.

 

 

publicado por Miguel Carvalho às 15:19
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Terça-feira, 21 de Abril de 2009

Aldrabices, daquelas que já nem ligamos II

Capa do DN de hoje: Reformados do Estado vão ter pensões 8% mais baixas

Lá dentro fica-se a saber:

1. Não se trata de todos os reformados, mas de um pequeníssimo grupo: os que se reformaram no início deste ano.

2. Os 8% não provêm de alguma análise da legislação. São comparadas duas amostras de 2008 e 2009, não havendo qualquer garantia que as amostras têm populações semelhantes.

3. Para este ano foi possível pedir reforma com uma carreira contributiva menor, logo menor reforma. É um absurdo portanto comparar a reforma de um ano com o outro. É como afirmar que as pessoas com olhos castanhos ganham mais do que aquelas com olhos azuis, "omitindo" que fui apanhar os primeiros à porta de um banco, e os segundos na construção civil.

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publicado por Miguel Carvalho às 01:55
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Aldrabices, daquelas que já nem ligamos

Parágrafo principal de uma notícia no Público de Sábado: Os indicadores da instituição mostram que o consumo privado caiu (...).

No texto: O indicador coincidente relativo à evolução homóloga do consumo privado (..) mantendo-se, no entanto, ainda em terreno positivo.

publicado por Miguel Carvalho às 01:52
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Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Resposta antiga do Público

Por desleixo meu não cheguei a responder a uma réplica antiga do Sérgio Aníbal do Público a um post meu, onde o acusava de inventar uma contradição. Acrescente-se que a réplica aconteceu por intermédio do provedor do Público, a quem se deve aliás a maioria das reposta que este blog já recebeu.

 

O tema já é antigo, mas vale a pena ler a minha resposta:

 

1. Alega o leitor que é isso que está em causa (ou seja, o que se passará neste ano e no próximo) e que para esse período o FMI não aponta outros factores na evolução da situação nacional.
Não é uma alegação, é uma constatação de um facto. O Público diz  "A crise internacional não é a principal causa para o ritmo de crescimento lento que Portugal irá continuar a apresentar neste ano e no próximo, ao contrário do que tem vindo a ser defendido pelo Governo. A garantia é dada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI)".
Volto pois a citar a frase do FMI: "Growth will likely slow in 2008 to about 1¼ percent, and to about 1 percent in 2009, driven by weaker partner country growth, the international financial turbulence, and higher commodity prices."
Repare, ambos os textos referem os próximos dois anos. O do Público diz que a causa não é a crise internacional, o FMI refere três causas, todas internacionais. Contradição mais explícita não poderia haver.

2. Conclui por isso o jornalista, solicitado pelo provedor a esclarecer o assunto: “Assim, o FMI considera que, apesar de haver problemas conjunturais (externos) a afectar Portugal, são os problemas estruturais (internos) que mais estão a limitar o crescimento da economia. O Governo, por seu lado, tem salientado no seu discurso que os problemas estruturais (internos) estão a ser resolvidos pelas políticas postas em prática e que são os problemas conjunturais (externos) o principal entrave ao crescimento da economia. ‘Estamos agora melhor preparados para enfrentar a crise’, tem sido a frase mais utilizada pelos membros do Governo. Foi aqui, quando escrevi o artigo, que encontrei a contradição.
Estamos de acordo. São problemas internos que estão a limitar o crescimento. Também estamos de acordo que o governo tem dito que os problemas "estão a ser resolvidos". Há alguma contradição entre "estar a ser melhorado" e "estar mau", como afirma agora Sérgio Aníbal? Concorda com a afirmação "a economia angolana está mal, mas está a ser melhorada"? Se concorda, perceberá que não ali contradição nenhuma.

3. E, ao citar aquela frase do relatório, referi igualmente a existência de problemas conjunturais externos, ao contrário do que diz o leitor.
Não admito que me chamem mentiroso! Desafio-lhe a mostrar onde é que eu o acusei de não referir problemas externos.

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publicado por Miguel Carvalho às 23:40
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Quarta-feira, 18 de Março de 2009

Os consumidores e o INE são uns indecentes

Anda meio mundo a dizer que o consumo anda a cair, os consumidores andam a retrair-se, etc. e os sacanas dos consumidores e o INE teimam em contrariar a notícia que esta gente queria dar.

Ainda hoje no Público Eduardo Melo afirma "O momento é de retracção do consumo privado" e "o facto é que a deterioração da actividade económica interna e internacional, decorrente da quebra do consumo...". Estas afirmações vinham a propósito do relatório do INE onde o indicador quantitativo do consumo privado (estimativa grosseira da variação do consumo) tem o valor +0,9. (Eduardo, o símbolo da cruz significa que é positivo). E não é só o último, todos os valores que estão no quadro são positivos, tal como a variação do consumo trimestral dos últimos 5 anos.

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publicado por Miguel Carvalho às 14:12
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Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Variações absolutas e variações relativas

Outro grande clássico, que também está implícito no post anterior. Aqui fica um exemplo, desta vez dedicado a João Ramos de Almeida, responsável pela notícia de destaque da capa do Público e onde se fala em "cortes de pensões", "quebra de pensões", "uma coisa é certa: as pensões desses portugueses vão diminuir em cada ano", para lá de outros disparates, pe onde só um leitor muito atento se apercebe que se fala de variações relativas e não absolutas:

O Rui ganha 10 maçãs* ao mês. Depois reforma-se e ganha 7 maçãs de pensão.

O Pedro ganha 20 maçãs, na reforma recebe 10 maçãs.

 

Se o Ricardo passar da reforma do Rui para a do Pedro, tem uma subida ou um corte na reforma? (O João acha que é um corte...)

 

*Falo em maçãs, para se perceber que isto não tem nada a ver com inflação.

 

Adenda: tal como no post anterior, tivemos uma jornalista a falar de desemprego baseando-se num relatório onde não aparece sequer a palavra desemprego, aqui temos uma manchete sobre o valor das pensões supostamente baseada num relatório, no qual não há uma única referência ao valor das pensões em Portugal.

 

Nota habitual: não estou a dizer que concordo ou deixo de concordar com o que quer que seja sobre a política económica, nem se é justo ou injusto o que acontece aos moços do meu exemplo. Digo apenas: aquela notícia induziu a grande maioria dos leitores em erro.

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publicado por Miguel Carvalho às 20:29
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Emprego e Desemprego

Este disparate já se tornou um clássico, especialmente devido aos mal-afamados 150 mil empregos. Com especial dedicação para a Marina Pimentel, cá fica mais um exemplo:

Há 100 trabalhadores, apenas 85 têm emprego e 15 não. Taxa de emprego 85%, de desemprego 15%. No ano seguinte ninguém se reformou, mas há novos trabalhadores, mais 10 digamos. Há agora 94 com e 16 sem emprego. Taxa de emprego 85,5% e 14,5% de desemprego.

 

Primeiro conclusão (possivelmente surpreendente para alguma gente que tem como profissão aldrabar informar os outros sobre os dados económicos): o número de empregados e o número de desempregados podem aumentar ao mesmo tempo.

 

Segunda conclusão (possivelmente surp...): o número de desempregados pode subir mas a taxa de desemprego descer.

 

A partir de um relatório do Eurostat onde não há uma única referência a desemprego, a Renascença consegue fazer a seguinte notícia: O número de pessoas desempregadas na Zona Euro aumentou 0,3%, no último trimestre de 2008. Ficaram sem trabalho mais 453 mil pessoas, no conjunto dos 15 países que partilham a moeda única. E a notícia continua sem um único número que exista realmente no relatório. Mas erros de raciocínio contrariando as duas conclusões acima, eses são vários.

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publicado por Miguel Carvalho às 19:35
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