Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

A Alemanha tem mais criminosos que o Luxemburgo!

Pudera, tem muito mais gente!!

 

O raciocínio é demasiado complexo para o Expresso e o Diário Digital que têm esta pérolas:

Portugal: 5º maior défice comercial da UE

Zona Euro: Portugal regista 5º défice comercial mais alto

com a agravante do Diário Digital não saber contar (Portugal está em 4º) ou achar que o Reino Unido faz parte da zona Euro. Ter o 5º maior défice comercial nada nos informa sobre o estado do dito cujo, porque é preciso compará-lo com o PIB de cada país. Tal como é preciso comparar o número de criminosos com o tamanho da população.

A situação é melhor ou pior do que aquilo que os títulos dão a entender? Não sei, não vi os dados, e quem é suposto informar-nos também não.

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publicado por Miguel Carvalho às 15:06
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

"Varrer"

Noto algum(a) abuso/manipulação/falta de conhecimento da língua no título desta notícia do Expresso: "Música anti-Sócrates dos Xutos varrida da rádio". Sobretudo quando leio logo a seguir: "Mas, nas rádios nacionais só passou uma vez, uma única vez". Serei só eu?

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publicado por Pedro Bom às 04:02
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Sábado, 16 de Maio de 2009

Vamos abrandar abrandamente o abrandamento?

Em tempos havia uns livros de BD em que uns simpáticos estrumpfes trocavam metade das palavras que diziam, por palavras derivadas da palavra "estrumpfe".

Alguns jornalistas portugueses têm um problema semelhante com o "abrandar", tudo abranda. Alguns por distracção, outros por desconhecimentos básicos de português (eu já aqui pus a definição da palavra do dicionário), outros por desconhecimentos básicos de matemática, e ainda há aqueles que aproveitam o interpretação vaga da palavra a seu belo prazer.

Abrandar significa andar mais devagar, crescer mais lentamente, desacelerar, diminuir a velocidade. (Repito já agora, estatisticamente é de esperar que qualquer variável "abrande" à volta de metade das ocasiões). Mas o "abrandar" é por vezes usado para dar a entender que algo diminui quando isso não é verdade. Ou quando a aceleração diminui, o que também não é um abrandamento.

 

Hoje o Expresso ultrapassa todas as deturpações do "abrandar". Numa situação em que o PIB português recua, e recua mais depressa do que tinha recuado, a capa fala de um "abrandamento da economia". Um belo eufemismo.

 

Caro estrumpfes, tenho que ir estrumpfar o abrandamento.

 

 

publicado por Miguel Carvalho às 15:19
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Quarta-feira, 4 de Março de 2009

Quantos zeros tem um trilião?

Em Portugal---e na maioria dos países europeus---aplica-se a chamada "escala longa", em que um "bilião" é definido com um milhão de milhões, um "trilião" como um milhão de biliões, e por aí adiante. Um trilião tem portanto 18 zeros. É mesmo muita fruta. No entanto, a maioria dos países de língua oficial inglesa usa a "escala curta", em que um "billion" é um milhar de milhões, um "trillion" é um milhar de biliões, e por aí fora. Segundo esta escala, um trilião tem apenas 12 zeros.

 

O que aqui escrevi a propósito de biliões aplica-se ao Expresso deste Sábado a respeito de triliões. Diz o Expresso que o défice americano previsto para 2010 é de 1,75 triliões de dólares, com "trilião" (in)devidamente destacado. Nos EUA, é de facto um "trillion", mas a tradução para português não pode ser martelada daquela forma. Segundo a escala em vigor em Portugal, o défice americano previsto para 2010 é de 1,75 biliões de dólares (1,75 x 10¹²); 1.75 triliões é um milhão de vezes maior do que isto (1,75 x 10¹⁸). É muita fruta, mas não tanta como o Expresso nos querer vender...

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publicado por Pedro Bom às 23:47
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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Um título, dois abusos

Diz-se aqui que os portugueses são "campeões europeus em portáteis". Primeiro, temos o abuso do costume: fala-se em campeões da Europa no título mas lemos mais umas linhas e percebemos que afinal apenas países da Europa Ocidental foram considerados no estudo (sem especificar quantos, mas podemos confirmar aqui que são apenas 16).

 

Segundo, e bem mais grave, temos a conclusão abusiva: os portugueses são campeões em portáteis não porque possuem ou compram mais portáteis (em termos absolutos ou per capita) do que os outros 15 países da Europa Ocidental (até podem ter, mas o artigo não o discute), mas simplesmente porque a proporção de portáteis no total de PCs é a maior (81%).

 

Imaginem agora o que teria escrito o Expresso se afinal um dos outros 15 países tivesse um mísero portátil para toda a população (100 por cento do tal de PCs, portanto): "portugueses vice-campeões europeus em portáteis". Pois...

publicado por Pedro Bom às 11:41
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Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Uma notícia para esquecer...

Nem sei por onde pegar nesta notícia do Expresso (assinada pela Lusa). A informação é tão contraditória que se torna difícil escolher uma base de análise minimamente sólida. Vou, portanto, partir do princípio que esta passagem está correcta: "Os dados revelam que actualmente cerca de 11% dos médicos são fumadores, 40% abandonaram o hábito e quase 49% são não fumadores". A soma dá 100%, portanto ao menos isto deve estar certo...

 

Agora vejamos:

 

1. Título: "Larga maioria dos médicos portugueses deixou de fumar". Hã?! 40% é maioria? E ainda por cima larga? Ou queriam antes dizer que "a larga maioria dos médicos portugueses (89%) actualmente não fuma"?

 

2. Subtítulo: "O estudo (...) concluiu que cerca de 50% dos mil médicos questionados fumavam e destes mais de 40% abandonaram o hábito". Hã?! Dos 50% dos mil médicos que fumavam mais de 40% deixou de fumar? Então, mas 50% dos mil são 500 e 40% destes são 200. E 200 em mil dá 20%. Ainda estamos mais longe da maioria... Não seria antes "40% do total de mil médicos deixaram de fumar"? Ou, equivalentemente, "80% dos que fumavam deixaram de fumar"?

 

3. Texto: "A taxa de abandono do hábito de fumar é superior no caso dos homens, sendo que dos 40% (homens e mulheres) que deixaram de fumar, 24,46% são homens e 15,6% são mulheres. Ou seja, há mais fumadores masculinos do que femininos, mas, adquirido o hábito, as mulheres têm mais dificuldade em deixar de fumar".

 

3.1. Se 24.46% são homens e 15.6% são mulheres, o que são os restantes 60%? Não quereria este jornalista dizer: "24.46% do total de médicos são homens ex-fumadores e 15.6% do total de médicos são mulheres ex-fumadoras"? Ou então "dos 40% que deixaram de fumar 61% são homens e 39% são mulheres"?

 

3.2. Obviamente, a segunda frase não é um implicação da primeira, como o jornalista nos quer fazer crer. Se a amostra tiver 900 médicos (metade dos quais fumam ou já fumaram) e apenas 100 médicas (metade das quais fumam ou já fumaram), e com uma taxa de abandono igual entre eles (e igual a 80%), teríamos 360 médicos ex-fumadores (90%) e apenas 40 médicas ex-fumadoras (10%). Posso daqui concluir que a taxa de abandono é maior para os homens? Claro que não, eu assumi que era igual! (Nota: Não estou a contestar a conclusão do estudo de que a taxa de abandono é maior nos homens, só estou a querer dizer isso não é uma implicação dos dados que nos são fornecidos no texto.)

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publicado por Pedro Bom às 15:03
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Terça-feira, 21 de Outubro de 2008

Os desiguais números da desigualdade

Expresso, Público, Diário Digital (e certamente muitos outros que não verifiquei), todos transcrevem a notícia da Lusa a propósito do estudo da OCDE sobre desigualdade de repartição de rendimentos:

 

"Os autores do estudo colocam a Dinamarca e a Suécia à frente dos países mais justos, com um coeficiente de 0,32, e o México no topo da tabela dos mais injustos (0,47), seguido da Turquia (0,42) e de Portugal e dos Estados Unidos (ambos com 0,23)."

 

Não faço ideia onde foram buscar estes números, mas eu fui aos dados do relatório e verifiquei que a ordem de desigualdade (usando o índice de Gini) está, de facto, correcta, mas os números são (quase) todos diferentes: Dinamarca e Suécia (de facto, e como seria de esperar, no fim da tabela) têm 0.23 (e não 0.32), México (no topo) tem 0.47 (este está certo), Turquia tem 0.43 (e não 0.42), Portugal tem 0.39 (e não 0.23) e USA tem um pouco menos, 0.38 (e não 0.23).

 

Pequenos erros de transcrição são perfeitamente normais, não é isso que distingue o bom e o mau jornalismo, mas será que ninguém reparou que, com 0.23, Portugal e USA seriam mais "justos" do que Suécia e Dinamarca, se estes tivessem 0.32? Público, Expresso, Diário Digital e sei lá quem mais, todos transcreveram a notícia e ninguém reparou no óbvio? Ou nem sequer leram?

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publicado por Pedro Bom às 12:35
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Domingo, 21 de Setembro de 2008

Confusão Nível vs Variação nas estatísticas obscuras

Sempre que há uma queda nas estatísticas do crime, e há alguém que se felicita por tal facto, há sempre um chico-esperto que vem criticar tal felicitação, acusando-a de ser ingénua por os dados estatísticos oficiais não incluírem todos os crimes realmente cometidos.

Acho que ninguém nega o facto de haver muito mais crimes do aqueles que aparecem no dados, porque existe muita criminalidade que não é declarada à polícia. Mas esta falha afecta apenas o nível da criminalidade (se é 8 ou 80) e não a variação (se subiu ou desceu). A não existir nenhuma razão para que o nível de não-participação tenha variado de um ano para outro (e nunca vi ninguém a afirmar que isto acontece), a variação dos dados oficiais dão uma credível indicação da variação os valores reais. O chico-esperto é que é ingénuo.

 

Hoje no Expresso online Valentina Marcelino faz isto mesmo a propósito de incorrecta contabilização dos mortos nas estradas (apenas são contabilizados os que morrem no local do crime, deixando de fora os mortos no hospital). A propósito da congratulação por parte do MAI sobre a redução do número de mortos, a Valentina escreve "o Governo sabe que as vítimas mortais de acidentes rodoviários são muito mais [Nível] do que os números divulgados. Mesmo assim, o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, e o presidente da ANSR, Rui Marques, estiveram lado a lado esta semana a anunciar resultados de sucesso em matéria de sinistralidade. Menos 44 mortos até 15 de Setembro que em igual período de 2007 [Variação]. Valores longe de serem os reais."

Ou existe alguma razão paranormal para ter havido mais mortos nos hospitais do que no ano passado (o que Valentina não refere), ou então esta redução de 44 indicia mesmo uma redução real do número total de mortos.

 

Adenda: pelo que percebo do resto notícia, houve até (por coincidência) um aumento do número de mortes nos hospitais. Mas não era claramente isto que levou a jornalista a escrever o parágrafo acima.

publicado por Miguel Carvalho às 15:28
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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

Fazer contas à vida

A ideia não é nova. Políticos como Paulo Portas exploraram-na já até à exaustão. O João Silvestre dá-lhe expressão jornalística no Caderno de Economia do Expresso desta semana. Escreve no subtítulo que "Desde 2007, a subida do preço dos combustíveis rendeu aos cofres públicos quase €40 milhões em IVA", o que eu não duvido. E escreve também, logo no primeiro parágrafo do texto, que "o Estado português foi um dos beneficiados pela escalada no preço do petróleo (...)". Isto é que eu já duvido. E só deixo de duvidar quando o João Silvestre fizer as continhas todas até ao fim e me vier mostrar quanto é que o Estado deixou de receber de IVA por compras de outros bens e serviços que os portugueses deixaram de fazer por terem de canalizar mais dinheiro para a gasolina. Até lá, estas contas valem zero.

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publicado por Pedro Bom às 00:14
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Desculpem?

Num debate com Miguel Frasquilho e Francisco Madelino, os jornalistas João Silvestre e Nicolau Santos perguntam ao primeiro se "está de acordo com esta ideia de que a economia está a criar emprego mesmo com crescimentos abaixo de 2%?" Como se fosse uma ideia e não um facto (e, não, não estou a dizer que a criação do emprego é maravilhosa e muito menos que o governo está de parabéns), e como se fosse possível discordar (sem aldrabar). Claro, a resposta de Miguel Frasquilho só podia começar por ser: "Que está a criar emprego está. Não há dúvidas."

Mas logo a seguir sai-se com esta: "Mas isso acaba por ser muito más noticias. Porque significa que o nosso produto potencial - o PIB que corresponde ao pleno emprego - está neste momento bastante abaixo destes 2%." Desculpe? O facto de haver criação de emprego com crescimento abaixo de 2% implica o quê para o PIB potencial? Não é que o crescimento do PIB potencial não esteja mesmo abaixo de 2%, mas onde é que o Miguel Frasquilho foi desencantar esta implicação? Mas, pronto, dessa forma conseguiu ao menos puxar a coisa para o produto potencial e cascar um pouco mais no governo. O disparate por vezes compensa.

[Ah, e já agora, o que se mede em percentagem não é o PIB potencial, como diz o Miguel Frasquilho, mas a sua taxa de crescimento.]

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publicado por Pedro Bom às 00:34
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