Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Se não sabem do que falam, façam copy paste de quem saiba

Público: A inflação de Fevereiro aumentou 0,2 por cento

 

INE: Taxa de inflação homóloga mantém-se em 0,2%

 

Caro Eduardo Melo, se a inflação passou de 0,2% para 0,2%, em Português diz-se que ela "manteve-se". O que subiu foram os preços.

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publicado por Miguel Carvalho às 10:38
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Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Salários

Sem dúvida que aumentar os salários em alturas de crise é bem mais complicado, mas conseguir escrever este artigo sem, em momento algum, deixar escapar a ideia que, devido à menor taxa de inflação, não são necessários aumentos nominais tão altos como no ano passado para que os salários reais ainda assim aumentem,  é perceber muito pouco do que se trata.

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publicado por Pedro Bom às 18:53
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Terça-feira, 15 de Julho de 2008

A velha confusão de sempre

A inflação é a variação dos preços, não é uma média/índice de preços. Tal como a velocidade é a variação da nossa posição. Eu posso ir a 140km/h e abrandar para os 120km/h que não deixo de me afastar do meu ponto de partida. Assim a inflação pode subir e descer, mas desde que seja positiva, os preços estão sempre a subir.

No Telejornal da RTP de ontem dizia-se "os preços voltaram a subir, atingiram o valor mais elevado desde há dois anos", querendo com isto dizer que há dois anos ainda estavam mais altos. Ora isto não é verdade, em termos homólogos os preços nunca pararam de subir e em termos mensais creio que houve uma ou duas excepções. A taxa de inflação, essa sim, está ao nível mais alto desde há dois anos.

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publicado por Miguel Carvalho às 16:02
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

O Mandato do BCE

Há uma certa confusão sobre o mandato do BCE, talvez porque ele nunca foi muito bem definido. Os tratados falam apenas em "estabilidade de preços" e é o próprio BCE que faz uma interpretação dos tratados, definindo então este objectivo em termos numéricos, os famosos 2% do HIPC.

Diz-se muitas vezes que o objectivo é manter a inflação abaixo dos 2%, tendo ontem o Paulo Ferreira no Público em editorial sido mais audaz, descrevendo esta regra como "manter a inflação sempre abaixo dos 2 por cento". Há assim a ideia de que o BCE está a falhar no seu objectivo sempre que o HIPC sobe acima dos 2%.

Ora isto não é bem assim. Se verificarmos a tal interpretação do BCE, podemos ler:

 

 

Price stability is to be maintained over the medium term.

(...)

Furthermore, the statement that "price stability is to be maintained over the medium term" reflects the need for monetary policy to have a forward-looking, medium-term orientation. It also acknowledges the existence of short-term volatility in prices which cannot be controlled by monetary policy.

 

Ou seja, o BCE deve centrar-se em manter uma previsão de médio-prazo da subida do HIPC abaixo dos 2%, sendo uma eventual subida de curto-prazo devido a um choque algo a não ter em conta em termos de objectivo. Nem fazia sentido que fosse de outra maneira, do ponto de vista económico.

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publicado por Miguel Carvalho às 12:48
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Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Cada vez estou mais convencido que os jornalistas não sabem o que é a inflação

Depois de fenómenos curiosos como os preços subirem acima da inflação, a SIC Notícias presenteia-nos com mais um pouco de iliteracia económica numa peça sobre a inflação em Espanha (medida pelo índice de preços ao consumidor).

É dito que a inflação foi de 4,5% e que um dos principais contributos para este valor alto foi o sector do vestiário, cujos preços subiram 3,0%. Subiram abaixo da média, mas contribuíram para uma média alta??

É dado a entender que Portugal também sai a perder porque cada vez importamos mais de Espanha (como nem referiram números, e o relatório em causa era um relatório interno espanhol, provavelmente acrescentaram isto porque lhe apeteceu). Eu não sei se eles estão a par disto, mas não há nenhuns senhores a ir comprar às lojas em Madrid, a meter as compras no carro, e depois a revender em Portugal. Dá muito trabalho. Por isso os revendedores em Portugal não compram nas lojas mas directamente aos produtores/distribuidores por grosso.
O IPC espanhol está relacionado com os produtos que os consumidores espanhóis compram, o que não tem obrigatoriamente implicações nas nossas importações, porque os consumidores espanhóis compram nas lojas e nós aos produtores espanhóis e porque os cabazes são totalmente diferentes, tanto em termos de composição como em termos de origem dos produtos - eles compram muitos produtos importados para Espanha, mas nós de Espanha importamos quase exclusivamente produtos fabricados lá.
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publicado por Miguel Carvalho às 19:39
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Domingo, 16 de Março de 2008

Inflação e preços

O inevitável José Rodrigues dos Santos diz-nos no Telejornal de sexta-feira: "Os preços em Portugal mantiveram-se inalterados em Fevereiro, (...) a taxa de inflação homóloga manteve-se nos 2.9%". Alguém explica ao nosso José, e já agora aos demais jornalistas da RTP, que uma taxa de inflação positiva, mesmo que inalterada, implica sempre uma subida de preços? Pronto, explico eu. José, a taxa de inflação mede a variação percentual do nível de preços. Portanto, se o nível preços for 1 em dois anos consecutivos, então a taxa de inflação é zero. Se no segundo ano o nível de preços tiver descido para 0.9, então dizemos que a taxa de inflação foi de -10%. E se tiver subido para 1.1, então podemos dizer que a taxa de inflação foi de 10%. Eu sei que é difícil, mas agora podemos pensar ao contrário; se a taxa de inflação foi positiva, então o nível de preços teve obrigatoriamente de ter subido. Percebeste? Pronto, agora estuda bem isto antes de apresentares o próximo Telejornal.
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publicado por Pedro Bom às 13:54
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Sábado, 9 de Fevereiro de 2008

A SIC Mulher já sabe que existe inflação

Acaba de passar uma longa reportagem na SIC Mulher sobre o alegado aumento do custo de vida. Um repórter a andar pelo supermercado ia pegando em vários produtos, citava os seus preços e citava os preços correspondentes em 1974. Os preços eram 10 ou 20 vezes maiores, logo a conclusão óbvia era que hoje era mais difícil comprar o mesmo cabaz de compras. Nem uma referência foi feita à evolução nominal dos salários, nem uma!

Descontando uma estranha atracção pelos produtos mais caros dentro de cada categoria, logo não representativos (alguém acredita que o preço médio do azeite é 4,5€ por exemplo?), é de aplaudir o facto de alguém na SIC Mulher ter reparado num fenómeno chamado inflação. Espera-se a todo o momento que um génio do mesmo canal venha fazer uma reportagem sobre a queda dos corpos graves, que segundo um amigo meu doutorado em física tem o nome de gravidade.

publicado por Miguel Carvalho às 21:44
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Estamos a divergir desde os dinossauros - esclarecimento

Hoje (16 Janeiro) o Público publica um gráfico que mostra que os funcionários públicos perderam "poder de compra" consecutivamente nos últimos 9 anos. No post anterior referi-me  a uma afirmação semelhante - e aparentemente errada - de Menezes. É que o Público refere-se apenas aos funcionários públicos e Menezes referia-se a todos os trabalhadores. A fazer fé nos dados do Público - e como já mostrámos aqui tanta vez, é mesmo uma questão de fé - é inteiramente verdade que os funcionários públicos perderam constantemente "poder de compra" ao longo de 9 anos (em termos médios e não em termos individuais, já que individualmente pode haver subidas de escalão que levam a aumentos dos rendimentos, o que não seria muito sério fazer).
Sendo que "poder de compra" significa desta vez salário bruto real. Também não será o melhor indicador de "poder de compra dos trabalhadores", deixando de fora variações de impostos, subsídios, etc... mas enfim é melhor que o PIB per capita real.

Já agora, um erro que ouvi/li hoje repetidamente. O facto de os governos aldrabarem sucessivamente na inflação esperada, sempre com "estimativas" abaixo da realidade, não implica de modo nenhum que os salários reais desçam! Isto porque na maioria dos anos, o aumento médio dos salários não coincide com a inflação "prevista". Houve anos que foi acima, outros que foi abaixo. Foi sim, sempre abaixo da inflação registada na prática.
publicado por Miguel Carvalho às 15:46
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

Pão

A Associação de Comércio e da Indústria de Panificação todos os anos nos tenta enfiar o barrete do aumento do preço do pão. Este ano foram menos radicais, sugeriram aumentos entre os 10% e os 30%, mas nos anos anteriores lembro-me de ver os 40% serem repetidos. A culpa é alegadamente do preço da farinha.
Sejamos claros, a farinha apesar de ser a matéria prima mais simbólica (daí talvez julgarem haver espaço para este comportamento de cartel) é apenas uma pequena parte do custo do pão. Além de outras matérias primas, como água, fermento, leite, sal, etc... as panificadoras também têm custos de mão-de-obra (este sim bem maior), energia, transporte, aluguer de espaços, maquinaria, impostos, rendas, etc... etc...  Para que se justificassem aumentos desta grandeza do pão, os preços da farinha teriam que estar a quadruplicar ou quintuplicar todos os anos, o que obviamente não aconteceu.
(Onde pára a Autoridade da Concorrência, que em tempos já se declarou "atenta" a esta questão?).
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publicado por Miguel Carvalho às 09:53
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Preços sobem mais que... os preços

A SIC na sua ânsia cega de sensacionalismo brindou-nos ontem com uma reportagem onde se lia em letras gordas "Aumentos. Preços sobem acima da inflação".
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publicado por Miguel Carvalho às 09:48
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