Terça-feira, 21 de Abril de 2009

Aldrabices, daquelas que já nem ligamos

Parágrafo principal de uma notícia no Público de Sábado: Os indicadores da instituição mostram que o consumo privado caiu (...).

No texto: O indicador coincidente relativo à evolução homóloga do consumo privado (..) mantendo-se, no entanto, ainda em terreno positivo.

publicado por Miguel Carvalho às 01:52
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Falta de pudor

Desemprego dispara em Janeiro e atinge mais 70 mil pessoas insinua hoje em grande a capa do Público.

 

Da fonte da notícia, cujo próprio link está na página online do Público, lê-se:

O desemprego registado apresenta uma trajectória ascendente, apurando-se (...) relativamente ao mês anterior, o aumento foi de 7,7%, consequência de mais 31 961 desempregados inscritos.

 

Ou mais explícito ainda:

Desemprego registado

Dezembro 2008: 416 005

Janeiro 2009: 447 966

 

 

 

O Público não teve falta de pudor em brincar com as palavras. Os 70 mil do relatório são pessoas que se inscreveram como desempregadas, mas há apenas mais 32 mil pessoas no desemprego. Alguém interpretou o título do Público de modo correcto?

 

 

publicado por Miguel Carvalho às 12:23
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Reconhecido que o Jornal Público penaliza a verdade

Notícia de 25 de Abril no Público a propósito da nova possibilidade de esticar os empréstimos para habitação por 50 anos. Para lá de um português sofrível ("Governo aceita que novo bonificado prejudica famílias" aceita que penaliza? e "Aumento do prazo implica diminuição ou mesmo saída do regime".. diminuição do quê?), esta notícia mostra uma deontologia jornalística reprovável: as acusações são repetidas de modo simplistas inúmeras vezes (na capa, contra-capa e no interior), antes de o leitor ser esclarecido sobre os factos que estão por detrás delas.
 
 
Mentira 1: Novo regime penaliza as famílias
Apesar de repetida 3 vezes na capa, uma vez na contra-capa e 2 no interior (quando se repete tanta vez a mesma frase, fica logo à vista a fiabilidade de tal afirmação), é um absurdo dizer que as famílias são penalizadas. As possibilidades antigas mantêm-se e há a introdução de uma nova. Se as hipóteses de escolha aumentam, como é que há penalização? A Rosa Soares que vá tentar convencer um miúdo que escolher entre bolo de chocolate e pudim, é pior que escolher entre bolo de chocolate, pudim e leite creme e depois conversamos.
 
 
Mentira 2: Aumenta pagamento de juros
A ignorância que a Rosa mostra dos conceitos de contabilidade mais básicos até daria para rir, se não fosse triste. Qualquer pessoa que ligue para a Cofidis, sabe que pagar "mais devagar" implica pagar mais no total. Dito de outro modo, é óbvio para todos (menos para a Rosa) que devolver a verba de um empréstimo passado um mês ou  10 anos não pode ser a mesma coisa em termos de pagamento de juros, tal como deixar dinheiro numa conta a prazo por 1 ou por 10 anos tem rendimentos diferentes. Confundir isto com aumento dos juros, ou é burrice ou uma aldrabice maldosa.
 
Mentira 3: Há redução da comparticipação por parte do Estado
Esta também é repetida 5 vezes, inclusive com uma insinuação barata em letras gordas que diz "Estado poupa", antes do esclarecimento do que está por detrás. Embora o texto seja confuso (ou talvez me faltem capacidades de o perceber), há uma afirmação do ministro que não é desmentida: o novo regime é financeiramente neutral para o Estado! Ou seja como o empréstimo demora mais anos, o Estado passa a pagar o mesmo mas durante um período maior. Se o Estado pagasse o mesmo durante mais tempo, a Rosa talvez lá dissesse que a comparticipação se manteria, mas até um miúdo sabe que 10x30 é menos de 10x50.
Há um afirmação da DECO que é contudo verdadeira: por esticar a comparticipação por mais anos, as comparticipações a fazer no imediato pelo Estado passam a ser menores - o que até alivia as contas, mas apenas momentaneamente. Confundir isto com poupança ou é burrice ou aldrabice.
 
Mentira 4: O Estado reconhece que penaliza
A Rosa bem pode repetir isto várias vezes, que um esclarecimento por parte do Estado sobre declarações anteriores - que coincide com o que a DECO chamou "o pior cenário" - não o torna num reconhecimento do que quer que seja.  Sublinho: não há uma única citação do Governo onde se reconheça uma "penalização", apenas uma coincidência entre críticas da DECO e os esclarecimentos. E quem não se ficar pelo título na capa "reconhecido que novo regime penaliza famílias", percebe que é este o caso. Por afirmações suas na boca dos outros é vergonhoso.
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publicado por Miguel Carvalho às 11:05
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

Jornalismo de merda

Desculpem, mas não aguentei o palavrão.
Quase todos os meios de comunicação repetiram a mentira que nem uns carneirinhos, sem se darem ao trabalho de verificar a informação. TVI, Correio da Manhã, SIC, Record e TSF, pelo que pude ver no Google News.
Mas o meu maior escárnio vai para a imprensa dita económica, que deveria saber o mínimo dos mínimos: Agência Financeira, Portugal Diário, Jornal de Negócios, Diário Económico. Todos repetem a mesma mentira.
Uma vergonha de jornalismo.

Os meus enormes parabéns à LUSA, ao DN e ao Público (versão papel) por terem escrito a verdade.

Adenda: Não só mentem em relação a estes dados, como muitos (como o CM) referem que o PIB per capita "voltou a descer". Outra mentira! De 2004 para 2005 também subiu.

Adenda: O prémio do meio de comunicação mais imaginativo vai para a Agência Financeira. Os números do relatório em causa são todos em percentagem da média da UE. Ou seja, toma-se o valor médio do PIB per capita em PPP naquele ano como o valor de referência 100, e os outros são dados em comparação com o 100. Portugal, por exemplo, tem 75. Apesar de os valores se referir a esse valor fixo 100, aparentemente a Agência Financeira ainda consegue inventar aí uma tendência (deve ser do 100 para o 100) e escreve no título "Poder de compra dos portugueses cai e contraria tendência europeia".
(Admito que se possam estar a referer a outra tendência, porque não são claros, e não explicitam essa afirmação no texto).
 
Adenda: acabei de rever a peça da RTP. Além de vários pequenos erros, parece confundir os valores da percentagem face à média europeia com a sua variação (refere alguns países que estão agora melhor, citando para tal de seguida os seus valores... mas os valores não indicam variação). E mais uma vez se comprova que os jornalistas se seguem uns aos outros que nem uns carneirinhos: a reportagem volta a referir (como o DD) que os cálculos "deixaram a inflação de fora". Como já escrevi, é o nível de preços que é contornado, e não a inflação. Além disso, por definição, os valores do PIB dados pelo Eurostat são dados em paridades de poder de compra, não é novidade nenhuma!


(Post com várias alterações)
publicado por Miguel Carvalho às 20:57
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