Sábado, 16 de Maio de 2009

Vamos abrandar abrandamente o abrandamento?

Em tempos havia uns livros de BD em que uns simpáticos estrumpfes trocavam metade das palavras que diziam, por palavras derivadas da palavra "estrumpfe".

Alguns jornalistas portugueses têm um problema semelhante com o "abrandar", tudo abranda. Alguns por distracção, outros por desconhecimentos básicos de português (eu já aqui pus a definição da palavra do dicionário), outros por desconhecimentos básicos de matemática, e ainda há aqueles que aproveitam o interpretação vaga da palavra a seu belo prazer.

Abrandar significa andar mais devagar, crescer mais lentamente, desacelerar, diminuir a velocidade. (Repito já agora, estatisticamente é de esperar que qualquer variável "abrande" à volta de metade das ocasiões). Mas o "abrandar" é por vezes usado para dar a entender que algo diminui quando isso não é verdade. Ou quando a aceleração diminui, o que também não é um abrandamento.

 

Hoje o Expresso ultrapassa todas as deturpações do "abrandar". Numa situação em que o PIB português recua, e recua mais depressa do que tinha recuado, a capa fala de um "abrandamento da economia". Um belo eufemismo.

 

Caro estrumpfes, tenho que ir estrumpfar o abrandamento.

 

 

publicado por Miguel Carvalho às 15:19
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Terça-feira, 10 de Março de 2009

Até o tradutor automático do Google se teria portado melhor

A notícia já tem umas semanas, mas foi o leitor que nos enviou o disparate do post anterior , que aproveitou para enviar este texto também. Um texto de Fernando Sousa no Público a não perder pela qualidade do português. Aqui ficam uns aperitivos:


E num confronto entre agentes e um bando, que usou armas pesadas (...) ficaram feridos sete cívicos.

Só sobrou vivo um dos guarda-costas.

Dedica-se a todas as drogas um pouco...

Começou na região do Pacífico Norte, donde outro dos nomes que tem.

(...) aborreceu outros grupos com quem acabou a discutir a tiro.

As drogas sintéticas são o género do cartel de Colima

A televisão nacional registou crianças...

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publicado por Miguel Carvalho às 14:46
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Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Por que não escrevem em português?

Índice de preços no produtor nos EUA acelera 1,4% em Maio, diz o Jornal de Negócios. Mas... o que é que isto quer dizer?!

 

a) A inflação acelerou 1,4%, ou seja o crescimento da inflação foi mais rápido 1,4%, passando de um crescimento de (por exemplo) 10% ao mês para 10,14%, tendo a inflação propriamente dita passado de 5% para 5,5% e depois para 6,06%?

b) A inflação acelerou 1,4 pontos percentuais, ou seja o crescimento da inflação foi mais rápido 1,4 pp, passando de um crescimento de 10% ao mês para 11,4%, tendo a inflação propriamente dita passado de 5% para 5,5% e depois para 6,13%

c) A inflação subiu 1,4%, ou seja passou de 5% para 5,7%?

d) A inflação subiu 1,4 pontos percentuais de 5% para 6,4%?

e) Os preços subiram 1,4%, ou seja a inflação foi de 1,4%?

 

Em termos de português (e de matemática) o título aponta para a hipótese a), já que acelerar significa um aumento no crescimento/velocidade. Mas o que será que a Ana Luísa Marques tinha na cabeça?

Solução: e)

 

 

P.S. Antes que seja mal interpretado, as minhas críticas aqui são duas.

1. Por que complicam coisas tão simples? Ao não terem uma linguagem terra-a-terra acabam por confundir muitos leitores.

2.  O erro que está naquele título, é para mim irrelevante, o que me assusta é a jornalista confundir aqueles termos. E é esta confusão que muitas vezes está por detrás de erros bem mais graves que diariamente aparecem na imprensa.

publicado por Miguel Carvalho às 15:21
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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

Inventar e descobrir

Há um erro constantemente repetido em artigos sobre ciência que é a má distinção entre descobrir e inventar. Segundo o dicionário inventar significa "criar no pensamento", "ser o primeiro a ter a ideia de", enquanto descobrir significa "achar, encontrar (coisa desconhecida)". Os médicos não inventam novas estirpes de doenças (bom, talvez alguns laboratórios genéticos o façam) e não descobrem novos métodos de tratamento (não andam a passear e descobrem um tratamento no chão).

Hoje no Público online fala-nos sobre "uma descoberta publicada pela Nature Medicine poderá finalmente permitir o fabrico de órgãos artificiais para transplantes". Até poderia ser uma descoberta que tivesse facilitado este fabrico, mas mais à frente temos uma citação que diz "O que fizemos foi simplesmente pegar nos tijolos de construção da própria natureza para construir um novo órgão"... ou seja trata-se de uma invenção de um novo método de "engenharia de tecidos".
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publicado por Miguel Carvalho às 12:35
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Telivizão Imdependente

Eu não tenho grande orgulho do meu português, mas nunca pensei ver ESCLUSIVO em letras garrafais no Telejornal da TVI.
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publicado por Miguel Carvalho às 20:55
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