Domingo, 23 de Novembro de 2008

DN ao Domingo

Hoje no DN toma-se erradamente a parte pelo todo, ao fazer-se capa, título, e notícia com o seguinte:

 

"(...) há 1,33 milhões de pessoas que trabalham ao domingo, o que corresponde a 25% da população empregada - ou seja, um em cada quatro portugueses passa parte do domingo a trabalhar."

 

OU SEJA, um em cada quatro trabalhadores portugueses e não um em cada quatro portugueses. Distracção? 

 

 

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publicado por Carlos Lourenço às 13:50
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

A maldição das gordas

Na capa de hoje no DN: "Oliveira e Costa detido por burla agravada, fraude fiscal e branqueamento de capitais".

 

Esta falta de rigor promove uma má cultura popular face às matérias judiciais. Goste-se ou não de banqueiros, e deste em particular, e tenham ou não os banqueiros, e este em particular, especial inclinação para mexer em dinheiro, até pronunciação de uma sentença por um tribunal, uma pessoa detida é-o por recair sobre ela uma suspeita (a menos que haja flagrante delito).

 

À custa de um drama privado e de uma boa história, não deixa mesmo assim de ter piada que desta vez parece ter havido espaço de sobra para espetar na capa uma sequência de três crimes, e palavras tão compridas quanto "branqueamento". "suspeita de" tem de ficar para outra capa.

 

 

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publicado por Carlos Lourenço às 16:59
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

Embrulha!

Rui Peres Jorge, no Jornal de Negócios de hoje, comete a(s) seguinte(s) afronta(s):

 

1. Não indica uma única fonte para sustentar o que escreve. Ora, face à gravidade do que sugere, não lhe passa pela cabeça revelar ao menos onde foi buscar tal "furo"?

 

2. No título escreve 30%, mas inicia o texto com 27%. Em termos proporcionais pode parecer uma diferença negligenciável, mas o que conta é a que dizem respeito aquelas proporções. Isto é, milhares de empregos.

 

3. Segundo dados do INE, disponíveis numa questão de segundos a qualquer cidadão através da Internet, aos quais Rui Peres Jorge não faz qualquer menção (nem a quaisquer outros), foram criados 133 700 empregos desde o 1º trimestre de 2005 ao 2º trimestre de 2008. Assim, os tais 27% dos 130 000 empregos que refere o jornalista, representam 26,25% do total de empregos efectivamente criados, cada vez mais longe do que é anunciado no título.

 

4. Não sou a pessoa mais qualificada para analisar se é possível que os dados oficiais contabilizem o emprego da forma que sugere o jornalista (talvez portugueses que se mantenham como residentes em Portugal, mas que efectivamente não o sejam?), mas parece-me que isto não passa de um grave disparate.

 

Nota (a posteriori): Como, infelizmente, não tenho acesso à notícia que foi publicada no jornal em formato papel, na qual, supostamente, se explica melhor a questão, resta-me pedir desculpa, pelo menos em parte, ao jornalista Rui Peres Jorge. Em parte, porque considero absurdo que nos dias de hoje, em que a Internet funciona como o meio exclusivo de acesso à informação para tantas pessoas (veja-se o decréscimo nas vendas de jornais impressos), um jornal não tenha cuidado com as notícias que publica online. Sendo que parte dessa responsabilidade deva, na minha opinião, caber ao jornalista que assina a notícia. É que quem quer que dê de caras com aquela notícia no site do Jornal de Negócios não pode senão ficar perplexo e muito preocupado. Foi o que me aconteceu. 

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publicado por Carlos Lourenço às 09:50
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Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Total ausência de espírito crítico

Há jornalistas que adoram inventar factos e de os estampar nos títulos, a partir de fontes totalmente absurdas e inseguras.

Recordo-me com uma grande risota de um jornal a meio da longa discussão sobre o túnel do Marquês em Lisboa, ter estampado na capa "Túnel considerado dos mais seguros da Europa". Quando se vasculhava lá dentro sobre a fonte de tal afirmação, descobria-se que tinha sido Santana Lopes, esse engenheiro de estruturas viárias de renome internacional, a afirmar que o túnel era dos mais seguros da Europa... sem nenhuma outra fonte.
Também ridículo foi um título numa capa há uns tempos que afirmava que as casas num dado local tinham se desvalorizado 50% devido à presença de cabos de alta tensão. O número era repetido então num título de uma página interior, e perdido no meio do texto vinha a rigorosa e fidedigna fonte de tão precisa estimativa: um morador local.

Hoje na RTP houve uma peça onde se dizia que as crianças que vivem nos circos trocam de escola 80 vezes por ano. Lá no meio da reportagem percebia-se qual era a fonte: uma menina que vivia num circo. Não é preciso ser um génio para perceber que a menina se estava a enganar. Seria necessário mudar de escola de 3 em 3 ou 4 em 4 dias, para tal ser possível... nem daria tempo para montar o circo!

O que está em causa não é se é 8 ou 80, mas a constante falta do mínimo de espírito crítico de quem supostamente é profissional de "informação".
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publicado por Miguel Carvalho às 21:14
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Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007

Soares, o visionário

Pedro Correia afirma hoje no DN que "Soares rejeita referendo que defendeu em 1992". Logo a seguir "Mário Soares defende hoje que o Tratado de Lisboa deve ser ratificado pela Assembleia da República" e mais à frente "Há 15 anos, quando era Presidente da República, Soares foi um acérrimo defensor do referendo europeu".
Das duas umas, ou Mário Soares há 15 anos já sabia que em 2007 seria assinado um Tratado reformador da UE em Lisboa ou Pedro Correia dá mais uma prova da habitual falta de rigor jornalístico metendo tudo o que é referendo com a palavra "Europa" lá pelo meio no mesmo saco.
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publicado por Miguel Carvalho às 13:10
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007

Concorrência do Público

Anunciada na primeira página e ocupando uma página inteira no interior, o Público diz fazer uma análise a pente-fino das declarações do primeiro-ministro no Natal. Fico obviamente e sinceramente contente por este ataque de espírito de rigor que passou pelo Rua Viriato e espero que ele não seja passageiro.
O mais impressionante é que apesar de ocupar uma página inteira, o Público só descobre um único erro, e mesmo esse é de um preciosismo tal que nem aqui no blogue dedicado aos preciosismos teria tido destaque. Sócrates diz que em 2007 houve mais 17% de estudantes no ensino superior, quando o que aconteceu na realidade foi que o número de novos estudantes no ensino superior teve um aumento de 17%.
O resto da notícia supostamente factual, imparcial e objectiva é dedicada a contrariar o cenário cor-de-rosa dos números de Sócrates, em tom de crónica de opinião, isto é subjectiva e parcial. As afirmações não são contrariados e desmontados como aqui se faz e como deve ser feito por um jornalismo de rigor, mas recebe comentários subjectivos laterais. Por exemplo ao valor anunciado do emprego líquido criado, ele não é posto em causa, é apenas apontado que uma enorme parte desta criação se deve a contratos temporários. E assim se faz jornalismo de "rigor"...
Vamos ver se este rigor se mantém e é aplicado às notícias dadas pelo jornal.
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publicado por Miguel Carvalho às 16:57
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

Licenciados desempregados: um pouco de seriedade não fazia mal à SIC

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, o número de licenciados desempregados em Portugal aumentou em 167.000.  

Esta notícia vem na primeira página do Diário Económico, e é citada em todos os  telejornais da SIC.

 

Diz a senhora locutora da SIC:

“O crescimento do desemprego nos licenciados desde que se iniciou a governação Sócrates põe em causa o modelo de crescimento baseado nas novas tecnologias como motor  para resolver os problemas do mercado de trabalho”.

 

Em entrevista dada àquela estação televisiva, Martim Avillez Figueiredo, director do Dário Economico, esclareceu (às 18:25 H), que as perdas de emprego estão a ocorrer  nas áreas das ciências humanas - professores, psicólogos, sociólogos, etc - onde de facto o número de licenciados desempregados aumentou. Mas refere ele, que nas áreas tecnológicas, pelo contrário, o número de licenciados não chega para satisfazer a procura. Portanto em bom rigor, não devemos estranhar estes números, antes considerá-los como inevitabilidades de uma adaptação estrutural da economia.

Disse ele!

Está explicado?

Talvez para alguns, porque nos noticiários seguintes da SIC (22.00h) a afirmação que se faz é exactamente a mesma dos noticiários anteriores: “O crescimento do desemprego nos licenciados desde que se iniciou a governação Sócrates põe em causa o modelo de crescimento baseado nas novas tecnologias pois não está a ser capaz de resolver os problemas do mercado de trabalho”

O senhor Dr Martim Avillez Figueiredo teve tanto trabalho a explicar e vocês não perceberam?

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publicado por Oscar Carvalho às 22:37
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Alegadamente é para chamar a atenção

No texto do DN pode depois ler-se a palavra “alegada” várias vezes. Mas na primeira página e no título da notícia, o que aparece é “Morgado vai investigar corrupção na Madeira” e “Corrupção na Madeira nas mãos de Morgado”, respectivamente. É isto uma técnica jornalística para chamar a atenção ou um acreditar solene no provérbio “não há fumo sem fogo”?
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publicado por Carlos Lourenço às 11:10
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

Erros por distracção?

A falta de rigor

 

Diz assim o primeiro parágrafo do Código Deontológico dos Jornalistas:

O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade

No entanto, na prática, o relato factual nem sempre é feito com rigor. Mesmo nos jornais de referência.

 

Reparem neste título do Publico (Domingo, 23 de Setembro)

 

NOVO CÓDIGO VAI DIFICULTAR COMBATE AO CRIME VIOLENTO. 

O novo Código do Processo Penal define prazos demasiado curtos para a investigação da criminalidade organizada, diz Cândida Almeida.

 

Neste artigo, transcreve-se a entrevista dada ao PUBLICO e RÁDIO RENASCENÇA pela directora do Departamento Central de Investigação de Acção Penal (DCIAP).

 

Lendo toda a entrevista, não vejo que a entrevistada tenha feito uma declaração tão simplista como a que serve de título. Aceito contudo, que sub-liminarmente, a entrevistada tenha manifestado essa opinião.

O que me parece estranho, é que essa opinião é manifestada pela entrevistada de forma despropositada.  

Pergunta: “Qual é a consequência da publicidade para os inquéritos?”

Resposta:  Na pequena criminalidade  não há problema. Ofensas corporais não exigem segredos de justiça, um acidente de viação, um cheque sem cobertura, também não. Mas na criminalidade organizada e violenta, não é possível cumprir esses prazos que são demasiado curtos.”

 

Mais à frente:

 

Pergunta: “Portanto na sua opinião, a publicidade vai comprometer as investigações?”

Resposta: “Acho que sim, […] as perícias têm que ser feitas são extraordinariamente complexas e morosas. Facilmente estes prazos se esgotam.”

 

Admitamos que a transcrição é exacta,  

Então a entrevistada mistura sistematicamente alhos com bugalhos, quando se lhe pede para falar sobre segredo de justiça ela fala de prazos?... 

 

Admitamos que a transcrição não é exacta,

Houve um erro involuntário na transcrição e a jornalista acaba de demonstrar involuntariamente na prática, que prazos curtos para a execução das tarefas podem conduzir à má qualidade das mesmas. 

 

Acontece: Uma das possíveis causas para os Erros involuntários é a distracção. Ficamos no entanto perplexos com uma distracção que ocorre num tema que é especificamente seleccionado para título do artigo.

 

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publicado por Oscar Carvalho às 12:35
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