Quinta-feira, 6 de Março de 2008

Economia floresce 1% mas a bolsa mirra 2%

O jornalismo é suposto ser constituido por textos informativos e objectivos, não deve ser por isso ser confundido com poesia. Os jornalistas adoram contudo arranjar palavras diferentes, como o "abrandar", que já várias vezes referi, e que se pode prestar a várias interpretações. Se calhar até dá jeito... No Diário Digital tínhamos há pouco
Meio da sessão: PSI-20 acelera 0,9%
Acelera 0,9%?
E isso quer dizer o quê?
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publicado por Miguel Carvalho às 15:06
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Quarta-feira, 5 de Março de 2008

Resposta do Provedor do Público

O provedor do Público teve a amabilidade de citar no seu blogue oficial um e-mail, que lhe enviei em separado, referente a um erro cometido pelo Público, que aqui referi há umas semanas.
Não querendo entrar em discussões, não posso deixar de lamentar a simplificação feita pelo provedor, do que está em causa. Numa situação em que o PIB português em 2005 está acima do que era em 2000, e em que o Público tem um título que afirma "PIB português recupera, mas continua abaixo do valor de 2000", o provedor resume o erro dizendo que "o problema está só na simplificação do título" (sublinhado meu).
Não está em causa uma questão complexa com vários detalhes, não estou a discutir se é verde-tropa ou castanho-esverdeado. Ou é sim ou não, ou é preto ou branco. Ou desceu ou subiu. E na realidade subiu.

(De qualquer modo, parabéns ao Público por ter um provedor com blogue, onde vários erros do jornal são mencionados)
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publicado por Miguel Carvalho às 19:24
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Vaga de criminalidade

Para ilustrar aquilo que o Miguel aqui referiu, permitam-me ilustrar com um gráfico - pode ser que assim o gato do Miguel compreenda e mutatis mutantis também  os senhores jornalistas com propensão para o catastrofismo. 

 

Na gestão das empresas faz-se uma distinção entre aquilo que são problemas Crónicos  e aquilo que são problemas Esporádicos. Os problemas Esporádicos dão origem normalmente a uma task-force para resolução da crise. Mas, o que verdadeiramente interessa não é isso, mas sim diminuir o patamar dos problemos crónicos.

 

 

 

A actual "vaga"  de criminalidade não o é, porque não nos encontramos num patamar mais elevado. Trata-se da ocorrência simultânea de acontecimentos independentes. 

Mas infelizmente, como aliás acontece em muitas empresas, a psicologia da crise sobrepõe-se à racionalidade da análise. 

O bom jornalista devia ser didáctico. Deveria esclarecer o público.  

 

Mas o sensacionalismo rende obviamente mais.

 

 

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publicado por Oscar Carvalho às 18:47
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A irresistível tentação de tomar o todo pela parte

O Fórum Económico Mundial elaborou um estudo onde se conclui que Portugal é o 15º melhor mercado para o sector do turismo num universo de 130 países. Ainda assim, o Diário Digital não se conteve e escreveu no título da notícia: "Turismo: Portugal é 15º melhor mercado do mundo". Para o Diário Digital o mundo está divido em 130 países. Eu, na minha ingenuidade, pensava que eram mais de 200.
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publicado por Pedro Bom às 15:29
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Ontem nevou em Portugal mas não na Islândia, o que contraria a ideia de que a Islândia é mais fria

Como o Óscar antevia aqui, esta "onda de crimes" levou a uma "onda de disparates" por parte dos jornalistas, políticos e afins. A capa do DN de hoje referente a um texto de Ana Mafalda Inácio e Tiago Melo, apesar de tentar pôr alguma água na fervura, é disso um exemplo:
"Onda de homicídios contraria queda de 30% no ano passado"

1. É um absurdo chamar onda de homicídios a actos isolados e independentes, pura e simplesmente porque aconteceram todos em períodos curtos. Segundo a notícia nos últimos três anos o número de homicídios foi de 133,194 e 135, o que é baixo em termos europeus. Fazendo uma pequena simulação onde assumo que a criminalidade é constante ao longo dos anos, conclui-se que em 71% dos anos há períodos de pelo menos 5 dias consecutivos com homicídios, e em 36% dos anos períodos com pelo menos 6 dias consecutivos com homicídios. Ou seja estes picos são mais que banais, não fazendo sentido chamar-lhe "onda".

2. Sendo altamente prováveis, não contrariam absolutamente nada, como o título faz crer, porque não indicam de modo nenhum um aumento do nível de crime. Mais, é também altamente provável que um ano tenha mais dias com homicídios consecutivos do que outro ano, e mesmo assim ser mais seguro (ter muito menos homicídios ao fim do ano).

3. A queda de 30% nem sequer pode ser "contrariada" porque o número de homicídios não é decretado por lei, é sim um processo aleatório. Logo é normal que varie bastante de ano para ano (como os números o mostram), não fazendo por isso sentido atribuir alguma importância a estas variações anuais.

Nota da simulação: Processo de Poisson para cada dia do ano, de modo a que a média anual seja 154. Poisson supõe de facto independência quando na realidade há alguma correlação entre dias consecutivos (homicídios múltiplos ou viganças, por exemplo). Além de complicar as contas, incluir esta correlação só aumentaria ainda mais a probabilidade de haver "ondas de homícios".
publicado por Miguel Carvalho às 15:01
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Generalização abusiva ou os adivinhadores de dados

Apesar de só haver dados para pouco mais de metade dos países (15 dos 27), há vários media que hoje afirmam categoricamente que Portugal é o país da União Europeia onde se anda menos a pé, como a RTP.
Eu incentivo aqui os jornalistas portugueses a contactarem rapidamente a Agência Europeia do Ambiente, porque aparentemente eles têm mais dados do que os próprios autores do estudo.
publicado por Miguel Carvalho às 10:23
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Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Sondagens? Acho que tem a ver com eleições, não é?

Para lá do erro habitual das percentagens (quando o PS desce de 38,1% para 36,1% não desce 2% como diz o jornalista, desce sim 5% ou dois pontos percentuais) o Diário Digital traz uma palermice nova sobre sondagens:

"A subir estão também as intenções de voto no Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva". Ena, há eleições presidenciais e eu nem sabia. Aparentemente o Cavaco tem 62% de intenções de voto.

"José Sócrates [regista] nova quebra (...) nas intenções de voto, surgindo, em Fevereiro, com 29,8%"
"Tendência idêntica apresenta Luis Filipe Menezes, líder do PSD (...) apresentando agora 21,9% de intenções de voto"
Olha, o Sócrates e o Menezes também são candidatos! Que raio, não sabia de nada... Mas espera, as percentagens somadas dão mais de 100%! Será que o jornalista nem sabe distinguir intenções de voto da percentagem da população com uma avaliação positiva dos políticos?
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publicado por Miguel Carvalho às 21:06
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