Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

Jornalismo às três pancadas

Catado por um leitor, referente a uma notícia de ontem no Diário Digital

Júdice defende fusão PSD/PS e criação novo partido direita

Fusão do PSD com PS, e novo partido

Texto: O antigo bastonário da Ordem dos Advogados José Miguel Júdice defendeu hoje a criação de um novo partido de direita, resultante da fusão entre o PSD e o PS.

Fusão do PSD com PS, nada de novo partido

Texto: Para Júdice, «era melhor que os dois partidos se fundissem» e «deixassem formar à direita um partido significativo».

Fusão do PSD com PS, e novo partido


O erro é irrelevante? Pode ser que seja, mas se numa coisa tão simples e banal - JMJ defende ou não um novo partido - o jornalista não é capaz de retratar a realidade, imagine-se o que acontecerá em assuntos bem mais complexos.
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publicado por Miguel Carvalho às 10:56
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Domingo, 20 de Abril de 2008

Isto é que é serviço público?

A peça do Telejornal de ontem à noite onde se diz que os "portugueses estão a consumir menos" é simplesmente uma vergonha. Dizem que foi o Banco de Portugal (BP) que disse, o que é simplesmente mentira. O que o BP disse (nos Indicadores da Conjuntura publicados há dois dias) é que "o indicador coincidente para a evolução homóloga tendencial do consumo privado, calculado pelo Banco de Portugal, voltou a diminuir face ao observado no mês anterior". Para os jornalistas da RTP:

1. O Banco de Portugal não tem ainda dados para o consumo privado. Daí que constrói um indicador sintético que permita inferir (e com muitas reservas, como não se cansa de repetir) de forma "qualitativa" a evolução "tendencial" do consumo. Portanto, não vale a pena o BP andar a alertar para a cautela necessária na interpretação do indicador, os jornalistas simplesmente não querem saber. A cautela, pensarão eles, não será muita amiga de boas audiências.

2. O indicador vem na forma de taxa de variação homóloga. O que caiu foi esta taxa! E caiu para próximo do zero, mais ainda é positiva. Ou seja, se queremos dizer alguma coisa sobre consumo privado, a única coisa que podemos dizer é que subiu, embora percentualmente menos do que tinha subido anteriormente. Dizer, portanto, que "o consumo privado caiu" é uma estupidez de todo o tamanho.

Depois, não contentes com o que já estava a ser um festival de iliteracia económica, ainda tentam explicar este disparate com mais uns quantos. Dizem eles que são o desemprego e aumento do custo de vida que explicam o fenómeno. Divagam sobre o aumento dos preços, sobretudo dos bens de primeira necessidade, para concluir que os portugueses têm cada vez menos dinheiro e que, pois claro, que remédio têm eles senão consumir menos. Vão para feiras e mercados, fazem grandes planos dos preçários, perguntam aos feirantes o número de clientes que têm dito, tudo para justificar a "quebra de consumo". Uma vergonha...
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publicado por Pedro Bom às 11:44
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

Esses gajos sabem lá de economia

"Actividade económica desacelera em Março, diz BdP" diz o Diário Digital.

Na comunicação de hoje do Banco de Portugal, sobre os indicadores coincidentes.

Neste contexto, importa sublinhar que estes indicadores devem ser interpretados fundamentalmente como uma avaliação qualitativa das tendências da actividade e do consumo, e não como medidas contemporâneas precisas dos respectivos níveis de crescimento. Adicionalmente, é de notar que estes indicadores se encontram rodeados da habitual incerteza estatística associada ao cálculo de indicadores compósitos, o que parece ser particularmente verdade recentemente.

Tendência? Sabem lá eles do que falam!
Não são medidas contemporâneas? Claro que são! Eu que sou jornalista sei bem mais dos indicadores do Banco de Portugal do que quem os faz no Banco de Portugal. O que está ali é actividade do mês que ainda agora passou.
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publicado por Miguel Carvalho às 16:15
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Abrandar II

O consumo subiu mas o investimento abrandou dizia há pouco a Radar. Bem sei que não é uma rádio propriamente de informação, mas mostra bem como o "abrandar" engana muita gente.
O que aconteceu foi que tanto o consumo como o investimento cresceram, só que o consumo cresceu mais do que já estava a crescer, e o investimento cresceu menos do que tinha crescido.
Quantos ouvintes / leitores / espectadores terão percebido que foi isto que realmente aconteceu?

Nota: como já escrevi a palavra "abrandar" não esta errada, mas muitas vezes transmite a ideia errada. Esta frase da Radar só prova isso.
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publicado por Miguel Carvalho às 15:02
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Terça-feira, 15 de Abril de 2008

A ânsia das más notícias V

Ricardo Salgado sobre a actual crise financeira/económica: "É uma crise como nunca vi" citado pelo Diário Económico. "Ricardo Salgado (...) afirma estar a viver-se uma crise como nunca testemunhou ao longo de mais de 30 anos de experiência no sector financeiro." escreve e RR.

O que escreve o Destak? Ricardo Salgado "diz que esta é a pior crise que alguma vez enfrentou em 30 anos de actividade". Já nem pedia que alguém do Destak soubesse o mínimo de economia (se por acaso houvesse, teria percebido que o banqueiro se referia ao tipo de crise, que tem vários factores que a distinguem de outras "crises", como tantos outros economistas o já disseram), mas que houvesse alguém que percebesse português. "Como nunca vi" pode querer dizer apenas "como nunca vi", não quer dizer que seja a maior, a mais bonita ou mais fedorenta.

É uma pena não ter pachorra para ler jornais gratuitos. Este blog teria vários posts ao dia.
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publicado por Miguel Carvalho às 21:03
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Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Tantos erros na capa, imagine-se o que vai lá por dentro

Não posso deixar de notar a quantidade de vezes que eu escrevo posts sobre a principal notícia do dia nos jornais. Neste caso escrevo apenas sobre o título da primeira notícia da primeira página, uma migalha no jornal. Porque o faço é óbvio: é a notícia que mais chama a atenção, logo aquela que leio com mais cuidado, logo aquela onde mais vez apanho erros. Uma pergunta impõe-se então: será que a "qualidade" vai melhorando lá para dentro?

Hoje em letras gordas na capa do Público: "Há cada vez mais divorciados e viúvos a casar-se pela segunda vez em Portugal". Para sustentar tal tese é apenas referido que "A percentagem de casamentos em que pelo menos um dos envolvidos já tinha sido casado anteriormente duplicou entre 1990 e 2006 - de 10,5 por cento passou para 20,6 por cento (uma em cada cinco) do total de uniões celebradas". Versão online aqui.

1. Este dado não sustenta a afirmação em letras gordas na primeira página porque o número total de uniões celebradas caiu fortemente nesse período, logo um aumento de 10% para 20% do total nem sequer implica que o número absoluto desse tipo de casamentos tenha aumentado. (Por acaso o número total não caiu assim tanto, mas Bárbara Simões não o verifica).

2. Mesmo com um número absoluto deste tipo de casamento a aumentar, este dado não sustenta a afirmação em letras gordas na primeira página, porque número de casamentos não implica número de pessoas casadas. Em 1990 se todos os já-anteriormente-casados casassem com outros já-anteriormente-casados mas em 2006 todos o já-anteriormente-casados casassem com solteiros, teríamos uma duplicação deste tipo de casamentos mesmo para o mesmo número de já-anteriormente casados.

3. Mesmo com um número absoluto deste tipo de casamento a aumentar, e mesmo com a composição do casal a ser constante nos casamentos, este dado pode ser irrelevante porque o número de divorciados e viúvos pode estar a aumentar (o primeiro está de certeza, não verifiquei o segundo). Assim se o número de divorciados duplica e o número de divorciados a casar duplica também, não estamos aqui perante uma alteração em termos de comportamento de recasamento!

4. Não me dei ao trabalho de fazer o trabalho que a Bárbara Simões deveria ter feito, apenas li a conclusão do referido estudo publicado pelo INE, onde se afirma que "as taxas de recasamento de viúvos e divorciados tendem a diminuir tanto em Portugal...". Bolas! Exactamente o contrário do que dá a entender o título.

Estes erros são irrelevantes? Claro que são! Estamos a falar de recasamento de divorciados! Agora se pensarmos que o mesmo tipo de erros acontece em temas bem mais "quentes"...
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publicado por Miguel Carvalho às 09:58
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Domingo, 13 de Abril de 2008

O que é um fora-de-jogo?, ou facciosismo exacerbado

Escreve Jorge Miguel Matias no título do seu artigo, no Público: “Um vitória regular do FCP com dois golos irregulares”. Não tem dúvidas. Mais abaixo: (...) e um cruzamento de Quaresma, desviado ligeiramente por Kazmierczak, foi bem aproveitado por Lisandro, que, em posição irregular, inaugurou o marcador (...)". Não tem mesmo dúvidas. Eis as imagens. Faça uma pausa no vídeo aquando da cabeçada de Kazmierczak e veja onde está o Lisandro. Vai ver que não restam dúvidas sobre o seu posicionamento... regular. Sobre o jornalista, há duas hipóteses: ou não sabe o que é um fora-de-jogo (é sempre de admitir esta hipótese) ou não tem problemas em meter muito facciosismo desportivo no seu trabalho jornalístico.

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publicado por Pedro Bom às 10:58
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Sábado, 12 de Abril de 2008

Nascimentos negativos?

Numa reportagem sobre Espanha esta manhã na SIC Notícias, dizia-se que a Espanha tinha uma "taxa de natalidade negativa".
Quando oiço estas coisas fico sempre na dúvida, será que são erros muito estúpidos ou os jornalistas não fazem a mínima ideia do que estão a falar?
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publicado por Miguel Carvalho às 20:16
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Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Cada vez estou mais convencido que os jornalistas não sabem o que é a inflação

Depois de fenómenos curiosos como os preços subirem acima da inflação, a SIC Notícias presenteia-nos com mais um pouco de iliteracia económica numa peça sobre a inflação em Espanha (medida pelo índice de preços ao consumidor).

É dito que a inflação foi de 4,5% e que um dos principais contributos para este valor alto foi o sector do vestiário, cujos preços subiram 3,0%. Subiram abaixo da média, mas contribuíram para uma média alta??

É dado a entender que Portugal também sai a perder porque cada vez importamos mais de Espanha (como nem referiram números, e o relatório em causa era um relatório interno espanhol, provavelmente acrescentaram isto porque lhe apeteceu). Eu não sei se eles estão a par disto, mas não há nenhuns senhores a ir comprar às lojas em Madrid, a meter as compras no carro, e depois a revender em Portugal. Dá muito trabalho. Por isso os revendedores em Portugal não compram nas lojas mas directamente aos produtores/distribuidores por grosso.
O IPC espanhol está relacionado com os produtos que os consumidores espanhóis compram, o que não tem obrigatoriamente implicações nas nossas importações, porque os consumidores espanhóis compram nas lojas e nós aos produtores espanhóis e porque os cabazes são totalmente diferentes, tanto em termos de composição como em termos de origem dos produtos - eles compram muitos produtos importados para Espanha, mas nós de Espanha importamos quase exclusivamente produtos fabricados lá.
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publicado por Miguel Carvalho às 19:39
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Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Crise pode adiar retoma nacional mais dois anos

....diz o Público hoje na capa. Lá dentro

Portugal não conseguirá resistir a esta onda negativa e registará este ano um recuo para a mesma taxa de crescimento de 2006, adiando o objectivo de retoma, pelo menos, até 2010.

Vamos ver se percebi. Há crescimento... mas não há retoma?

a economia irá abrandar este ano para uma taxa de crescimento de 1,3 por cento (...). Em 2009 (..) com a economia a não conseguir mais do que uma ligeira aceleração para 1,4 por cento.

Ahn? 1,3% e 1,4% de crescimento, e a retoma é adiada? Estarão a falar de um universo paralelo?
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publicado por Miguel Carvalho às 19:55
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