Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Público confunde público

Não sou entendido em nenhum tipo de matérias jurídicas, por isso aprecio imenso quando a comunicação social que escreve sobre o assunto é um pouco mais entendida do que eu e contribui para me esclarecer as dúvidas em vez de as agravar.

Não foi o caso em relação à exclusão, em primeira instância, do FCP pela UEFA da Liga dos Campeões da próxima época. Parece que o Porto apresentou recurso, que foi hoje analisado. E diz o Público: "FC Porto: UEFA reenvia decisão para a primeira instância e clube participa na Champions". Dizem mais: "A comissão de Controlo e Disciplina da UEFA vai agora voltar a apreciar o processo, para que no dia 1 de Agosto (...) esteja tudo resolvido". Ou seja, vai ser "reenviado" para "voltar a ser apreciado". O que, segundo os meus preceitos lógicos, implica que nenhum decisão definitiva está ainda tomada. O que leva então o Público a escrever com tanta certeza no título da notícia que o "clube participa na Champions" e no, texto, que "o FCP pode participar na Champions 2008/09"? Não teria sido melhor escrever, como o fizeram A Bola e o Record, que "para já" (e estas duas palavrinhas são de toda a importância) o FCP não está excluído da Liga dos Campeões? Para confirmar que o Público terá induzido os seus leitores em erro, basta ler os comentários à notícia.

Principais Tags: ,
publicado por Pedro Bom às 13:21
link | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

2+2=5 quando um jornalista quer

Na página 25 da Visão temos um texto não-assinado onde um jornalista trata os leitores como estúpidos e tira as conclusões que lhe dá na gana.

1. Notando que Espanha e Inglaterra ficam abaixo de Portugal no ranking da proporção da população em risco de pobreza, o jornalista deu-se ao trabalho de verificar a definição deste conceito. Ao contrário de muitos dos seus colegas, que tratam o conceito como absoluto, apercebeu-se que não era uma definição independente do país (percentagem da população com menos de 60% da mediana do rendimento) donde conclui (e bem) que Espanha e Inglaterra têm provavelmente situações melhores que a nossa.  Ou seja a nossa posição no ranking tem que ser olhada com cuidado. Curiosamente "esqueceu-se" de concluir também que, exactamente pelas mesmas razões, haverá países que estando acima de Portugal no ranking, poderão estar em situação pior...

2. Apercebeu-se também que não era uma definição estática, que depende portanto do valor da mediana do rendimento de ano para ano. Não se dando ao trabalho de verificar a evolução desta estatística, lembra-se de dizer que "sabemos apenas que, genericamente, em Portugal, o poder de compra foi baixando nos últimos anos". Para lá de confundir rendimento com essa coisa do "poder de compra", fica claro que "genericamente não sabe nada". Se tivesse verificado a mediana do rendimento (desinflacionada pelo HICP) teria concluído que este valor passou de 59,5 em 1996 para 71,9 em 2005.

3. Concluiu então o número de pobres desceu devido a um "nivelamento por baixo"... Já mostrei a patetice no ponto 2.

4. Diz ainda que entre 1996 e 2003 a distribuição da riqueza teve valores melhores do que em 2006. Mais uma vez se não fosse preguiçoso - e bastava ler o resumo do relatório - teria concluído mais uma vez que aldraba com quantos dentes tem na boca, porque em 1998 o valor foi igual a 2006, tendo sido pior em 2002 e 2003.

5. Não existem números para 2007 e 2008, mas ele "sabe" que as coisas pioraram tanto no risco de pobreza como em desigualdade. Quanto a este último conceito diz que "a deterioração do poder de compra da classe média pode ter piorado as coisas de novo". Mais uma vez não sei onde vai inventar esta do "poder de compra" e nem nota no absurdo do que escreve. É que a medida de desigualdade a que se refere nem sequer depende dos rendimentos da classe média!

Principais Tags: , ,
publicado por Miguel Carvalho às 09:46
link | comentar | favorito

Discrepância entre capa e interior

Público de Sábado

Na capa: "Directora que criticou ASAE foi afastada do cargo"
Título interior "Oposição considera que directora do Norte foi afastada por denunciar excessos", ou seja passou de verdade a "consideração" da oposição.
No texto ficamos a saber que a directora não ganhou o concurso público para o cargo em causa. A Natália Faria deveria saber que "ser afastado" e "perder um concurso público" são coisas muito diferentes.

 

Como sempre não estou a querer defender seja quem for, apenas estranho esta incapacidade de escrever a verdade na capa.

 

Situação semelhante (em termos de rigor jornalístico, eu não faço aqui juízos de valor), ocorreu há um ano quando Hugo Chavez decidiu não renovar a licença de transmissão de uma televisão privada, e os media portugueses nos "informavam" que o canal tinha sido proibido.

Principais Tags: ,
publicado por Miguel Carvalho às 09:38
link | comentar | ver comentários (5) | favorito
Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Números da greve

Os maquinistas da CP estão a fazer uma greve às horas extraordinárias, afirmando os sindicatos que a adesão está próxima dos 100%. A RTP dizia agora que os números da empresa contrariavam este sucesso. Até aqui tudo bem, e tudo habitual.

Como "prova" contra os números dos sindicatos, a RTP mostrava em directo os comboios a funcionar na estação do Rossio e dizia que dos 500 e tal comboios planeados apenas 30 e tal tinham sido cancelados.

Provavelmente a RTP não está a par da definição de uma "greve às horas extraordinárias", por isso eu explico. De acordo com o contrato, o trabalhador deve trabalhar - por exemplo - 40 horas, mas na realidade o empregador põe-no a trabalhar 45 horas, mais cinco do que o acordado. Greve às horas extraordinárias significa não trabalhar nessas 5=45-40 horas. Logo uma adesão de 100%  implica que apenas uma pequena fracção (11,11% como diria um jornalista "rigoroso") do funcionamento é afectado.

Principais Tags: , ,
publicado por Miguel Carvalho às 13:11
link | comentar | favorito
Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

As contradições do Rudolfo

A frequência com que Rudolfo Rebêlo, jornalista do DN, repete, semana após semana, os mesmos disparates nos seus artigos (supostamente) económicos começa a ser muito preocupante. O festival de hoje começa com as contradições do costume:

 

1. Primeiro lê-se: "Economia portuguesa deverá crescer 1,6% em 2008, com as famílias a reduzirem o consumo de bens". Depois lê-se: " Este ano, o consumo cresce apenas 1,4%". Em que ficamos, caro Rudolfo? Eu sei que ficamos na segunda, porque entretanto fui ver ao relatório, mas será suposto cada um dos leitores ir ao relatório da OCDE tirar as dúvidas que tu próprio crias?

 

2. Primeiro lê-se: "Portugal vai empobrecer ainda mais". Depois lê-se: "a economia portuguesa cresce 1,6% este ano". Então Rudolfo, "empobrecer"? Estamos 1.6% mais ricos e tu falas em empobrecimento. Sem dúvida, 1.6 pode ser pouco, nada, quase nada, razão para protestos em São Bento, para eleições antecipadas, para golpe de Estado, para fugirmos para o Brasil, para nos entregarmos à bebida, etc. Agora, "empobrecer" é... estúpido.

 

Depois ainda há mais alguns:

 

3. "O desemprego afectará quase 8% dos portugueses, o que ajuda a explicar uma travagem nas despesas com as compras". Primeiro, afectará 8% dos "portugueses"?  A minha tia Conceição, 82 primaveras, também conta? E o meu primo Francisco, que acabou de entrar para a primária, também? Segundo, não, não ajuda a explicar coisa nenhuma. Apesar de alto, muito alto, está a descer. Devagarinho, muito devagarinho, mas está a descer (8% em 2007 e 7.9% em 2008, segundo a OCDE). Se me dissesses "desemprego alto explica consumo baixo", ainda aceitava. Agora, "desemprego alto explica desaceleração do consumo" já não pega. E, claro, "desemprego a cair (ainda que umas migalhitas) explica desaceleração do consumo", esta nem a minha tia Conceição engolia.

 

4. "Portugal consome mais do que produz". Isto é obviamente falso. O que é superior à produção é a despesa total, incluindo investimento. O que torna a balança fortemente deficitária e obriga a endividamento externo, pois claro.

publicado por Pedro Bom às 22:18
link | comentar | ver comentários (25) | favorito

"Confundir" quebras no crescimento com quebras reais

É um clássico aqui no blogue, "confundir" taxas de crescimento mais baixas com decrescimentos a valer, induzindo os leitores em erro.

 

A primeira notícia da secção de economia do Público de hoje tem o seguinte título "OCDE prevê crescimento menor e quebra do investimento". No quadrozinho em baixo, vemos que a OCDE prevê um crescimento de 3% no investimento (FBCF).

 

A meio do texto em letras gordas "Estrangeiro compra menos"... mas no meio do texto lemos que as exportações vão crescer 4%.

 

Neste caso nem percebo qual era a "quebra" que o João Ramos de Almeida tinha em mente, porque o texto não é explícito. Quebra na taxa de crescimento face ao ano anterior ou quebra nas previsões das taxas de crescimento face à previsão anterior? O segundo caso seria ainda mais grave, porque até poderia acontecer que a própria taxa de crescimento fosse maior do que no anterior.

Principais Tags: , ,
publicado por Miguel Carvalho às 18:09
link | comentar | favorito
Quarta-feira, 4 de Junho de 2008

Regra de Ouro: Quando são publicadas várias estatísticas sobre um assunto escolher a pior!

 

TSF,  noticiário de hoje (18:00H) : "As vendas de veículos comerciais ligeiros em Portugal, no mês de Maio desceram 20% relativamente ao mesmo mês do ano anterior".

 

Como já desconfio dos números citados nos media, fui confirmar: 

Dados da ACAP

 

Mercado de veículos ligeiros cai 1,9%

  1. As vendas de veículos ligeiros em Portugal ascenderam a 25.101 unidades em Maio de 2008, o que representou um decréscimo de 1,9% quando comparado com igual mês do ano anterior.
  2. Em Maio de 2008, o mercado de automóveis ligeiros de passageiros registou um crescimento de 5,1% relativamente a igual mês do ano anterior.
  3. Em termos do mercado de veículos comerciais ligeiros verificou-se, em Maio do corrente ano, um decréscimo de 21,1% em relação a 2007

Veículos Pesados:

  1. Quanto ao mercado de veículos pesados, em Maio de 2008 foram comercializados em Portugal 492 unidades, o que corresponde a um decréscimo de 6,8% face ao mês homólogo do ano anterior.
  2. No que respeita às vendas realizadas no período acumulado de Janeiro a Maio de 2008, as mesmas atingiram as 2.900 unidades. Verificou-se, assim, um acréscimo relativamente ao período homólogo do ano anterior, de 14,1%.

Com a subida dos preços dos combustíveis, não deve espantar a ninguém uma diminuição nas vendas dos veículos automóveis.

Mas aparentemente tal apenas aconteceu no segmento que é citado. A informação está pois correcta, mas porque serão os outros dados escamoteados? 

 

 Mais duas notas: 

A diminuição referida é justificada pela própria ACAP pela alteração da sazonalidade no ano de 2007 decorrente da reforma da fiscalidade automóvel então ocorrida.

 

E aqui entre nós:  olhar só para um mês e gritar: "Aqui d'el Rei! Acudam-me que estou em crise" parece-me ser completamente tolo.

 

 

Principais Tags:
publicado por Oscar Carvalho às 18:20
link | comentar | ver comentários (1) | favorito

O que a falta de calor faz às pessoas

Para os lados da Marechal Gomes da Costa, as saudades do calor são tantas que Alexandre Brito resolveu alterar "ligeiramente" as informações que lhe foram dadas pelo Instituto de Meteorologia. O Presidente do Instituto de Meteorologia disse à Antena 1 que "Temos efectivamente uma probabilidade de o Verão ser ligeiramente superior, em termos de temperatura, à média dos últimos 25 anos". E o que é a RTP resolve escrever no título? "Este Verão poderá ser o mais quente dos últimos 25 anos". Eu diria que sim, é verdade. Pode ser que sim. Mas, sendo que a informação que lhe foi prestada era que a temperatura deste Verão poderia ser LIGEIRAMENTE superior à Média dos últimos anos, eu não teria muitas esperanças.

Principais Tags: , ,
publicado por Nuno Matela às 09:44
link | comentar | ver comentários (3) | favorito
Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Portugal bate recordes no cancro da mama

Portugal arrisca-se seriamente a ser o país com a maior taxa de incidência de cancro da mama. Pelo menos é isso que a Lusa nos tenta levar a crer através desta notícia que o Público divulgou aqui e a Visão aqui.

Concordo que as mulheres devem estar atentas, mas, segundo esta notícia, as mulheres portuguesas devem ficar realmente preocupadas (muito mais do que no resto do mundo) pois "em Portugal, surgem anualmente 4500 novos casos de cancro da mama, ou seja, o carcinoma atinge nove em cada treze mulheres" (algo muito próximo de 70%).

Será que os jornalistas que transcreveram esta notícia não acharam estranho este número? Eu não acho estranho os 4500 novos casos por ano, mas 70% das mulheres virem a sofrer da doença? Ainda por cima não era muito difícil tentar confirmar. Segundo a Laço, afinal o número é 1 em cada 12. Para termos uma ideia do disparate, nos Estados Unidos, onde a taxa de incidência é das mais elevadas, o número é de 1 em cada 8.

Principais Tags: ,
publicado por Nuno Matela às 15:07
link | comentar | ver comentários (6) | favorito

Autores

Pesquisa no blog

 

Janeiro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts Recentes

O DN a começar o ano em p...

Os conhecimentos mais bás...

Que nome bué da louco, "h...

Para bom observador, meia...

O Luís Reis Ribeiro preju...

Um título, dois erros

Bomba Atómica: o Dinheiro...

O Público anda com a cabe...

Uma pequena história

Verificar fontes é para i...

Arquivo

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Março 2015

Fevereiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Principais Tags

correio da manhã(13)

desemprego(15)

diário digital(24)

diário económico(9)

dn(82)

economia(65)

estatísticas(22)

expresso(26)

inflação(13)

lusa(15)

matemática(12)

percentagens(26)

público(102)

publico(9)

rigor(9)

rtp(20)

rudolfo(16)

salários(10)

sensacionalismo(135)

sic(11)

todas as tags

Contacto do Blogue

apentefino@sapo.pt

Outros Blogs

subscrever feeds