Sábado, 4 de Outubro de 2008

O Rudolfo Rebêlo...

...ainda não percebeu que as fracas perspectivas de evolução da conjuntura económica não o legitimam a lançar para o ar todo o tipo de disparates. Há meses que vem tentando convencer os leitores que tanto o consumo como o investimento têm vindo a cair em Portugal, embora os dados que utiliza para o sustentar digam exactamente o contrário (como já foi tratado aqui, aqui e aqui). Hoje voltou à carga: "Portugal vai andar ao ralenti até 2009, diz o Fundo Monetário Internacional (FMI). Vergadas pelo peso das dívidas à banca, as famílias e as empresas reduzem o consumo e o investimento". Mas o que os dados do FMI nos dizem é que o consumo privado crescerá 1 por cento em 2008 e 0.9 em 2009, e o investimento 1.6 por cento em 2008 e 2.5 em 2009. Onde é que estão as reduções?

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publicado por Pedro Bom às 21:49
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Sábado, 21 de Junho de 2008

Mais do mesmo

O Banco de Portugal (BP) e o INE vieram ontem com novos dados da conjuntura económica e, como já seria de esperar, o DN e o seu jornalista de serviço, Rudolfo Rebêlo, lá tratam de disparatar sobre eles. Vou tentar ser claro, para que a caixa de comentários não fique entulhada de observações anónimas ainda mais absurdas do que as da própria notícia.

 

1. Actividade Económica. No título da notícia e ao longo do texto o Rudolfo tem o cuidado de referir (e bem) que a economia está a "arrefecer" ou a "desacelerar", em vez de "decrescer". Isto é verdade: o indicador coincidente do BP aponta para um crescimento homólogo positivo em Maio (0.4%), mais baixo do que o de Abril (0.8%). Mas, tendo o nível de actividade económica sido, em Maio último, superior ao de Maio do ano passado (em 0.4%), porque raio diz o Rudolfo que "a actividade económica [está] ao nível mais baixo desde 2003"?

 

2. Consumo. Mesmíssima coisa, mas agora o Rudolfo consegue contradizer-se na mesma frase: "o consumo das famílias terá aumentado 0,5% em Maio, face ao mesmo mês do ano passado, mas está a decrescer ao longo dos últimos meses, atingindo o valor mais baixo desde Setembro de 2003". Então mas, cresceu 0.5% em relação a Maio do ano passado e é o mais baixo desde 2003? Será que o Rudolfo não consegue arranjar um mês desde 2003 em que o consumo tenha sido menor? Dou uma sugestão: que tal Maio do ano passado?

 

3. Investimento. "Investimento aumentou em Abril", diz o Rudolfo, embora não refira quanto e onde foi buscar a informação. O que o INE diz é que a variação percentual homóloga do investimento foi -1.9% em Março e -0,5% em Abril. Ou seja, o investimento desceu em ambos os meses, em relação aos meses homólogos de 2007, embora menos em Abril. Se o Rudolfo diz que subiu em Abril porque -0.5% é maior do que -1,9%, então estamos em presença do disparate do costume, porque ambas as variações são negativas. [Claro, em relação a Março o investimento até pode ter subido, mas não só isto não é uma implicação lógica dos números do INE como nem as variações mensais são para aqui chamadas.]

 

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publicado por Pedro Bom às 22:52
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Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

As contradições do Rudolfo

A frequência com que Rudolfo Rebêlo, jornalista do DN, repete, semana após semana, os mesmos disparates nos seus artigos (supostamente) económicos começa a ser muito preocupante. O festival de hoje começa com as contradições do costume:

 

1. Primeiro lê-se: "Economia portuguesa deverá crescer 1,6% em 2008, com as famílias a reduzirem o consumo de bens". Depois lê-se: " Este ano, o consumo cresce apenas 1,4%". Em que ficamos, caro Rudolfo? Eu sei que ficamos na segunda, porque entretanto fui ver ao relatório, mas será suposto cada um dos leitores ir ao relatório da OCDE tirar as dúvidas que tu próprio crias?

 

2. Primeiro lê-se: "Portugal vai empobrecer ainda mais". Depois lê-se: "a economia portuguesa cresce 1,6% este ano". Então Rudolfo, "empobrecer"? Estamos 1.6% mais ricos e tu falas em empobrecimento. Sem dúvida, 1.6 pode ser pouco, nada, quase nada, razão para protestos em São Bento, para eleições antecipadas, para golpe de Estado, para fugirmos para o Brasil, para nos entregarmos à bebida, etc. Agora, "empobrecer" é... estúpido.

 

Depois ainda há mais alguns:

 

3. "O desemprego afectará quase 8% dos portugueses, o que ajuda a explicar uma travagem nas despesas com as compras". Primeiro, afectará 8% dos "portugueses"?  A minha tia Conceição, 82 primaveras, também conta? E o meu primo Francisco, que acabou de entrar para a primária, também? Segundo, não, não ajuda a explicar coisa nenhuma. Apesar de alto, muito alto, está a descer. Devagarinho, muito devagarinho, mas está a descer (8% em 2007 e 7.9% em 2008, segundo a OCDE). Se me dissesses "desemprego alto explica consumo baixo", ainda aceitava. Agora, "desemprego alto explica desaceleração do consumo" já não pega. E, claro, "desemprego a cair (ainda que umas migalhitas) explica desaceleração do consumo", esta nem a minha tia Conceição engolia.

 

4. "Portugal consome mais do que produz". Isto é obviamente falso. O que é superior à produção é a despesa total, incluindo investimento. O que torna a balança fortemente deficitária e obriga a endividamento externo, pois claro.

publicado por Pedro Bom às 22:18
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Sábado, 24 de Maio de 2008

Disparates mensais

Uma vez por mês, o Banco de Portugal (BP) revela informação "qualitativa" sobre o andamento da economia, que sintetiza no que chama "indicadores coincidentes". Uma vez por mês, pelo menos um órgão de comunicação social escreve disparates sobre essa informação. Felizmente, é só uma vez por mês, porque doutra forma não havia pente-fino que resistisse. Vejamos:

 

Capa do DN: "Consumo das famílias é o mais baixo desde 2003". No interior: "Consumo ao nível mais baixo em 5 anos". E, logo de seguida, para deixar claro que não se trata de meras simplificações de título: "O consumo das famílias caiu em Abril, pelo nono mês consecutivo, atingindo o valor mais baixo em cinco anos, (...) de acordo com os indicadores ontem divulgados pelo Banco de Portugal." Vou aos Indicadores da Conjuntura do BP, publicados ontem, e confirmo: o indicador coincidente do consumo privado (e não "consumo privado", porque para este ainda não há dados) em Abril passado é, de facto, não só negativo mas também o mais baixo desde 2003. E confirmo também o seguinte: lamentavelmente, o jornalista do DN que escreveu este artigo não faz a mínima ideia do que isto significa.

 

Como já escrevi aqui e aqui, o indicador vem na forma de taxa de variação homóloga. Ter registado o nível mais baixo desde 2003 significa que o crescimento (e não o nível!) do consumo privado foi o mais baixo desde 2003 (aliás, dado que foi negativo, o nível de consumo terá mesmo sido em Abril de 2008 menor do que em Abril de 2007). Só que, desde 2003 até o mês passado, o indicador coincidente foi sempre positivo (com uma provável excepção algures em 2005), pelo que o consumo privado esteve (quase) sempre a crescer.

 

Para ficar bem claro que o DN não sabe do que fala, temos ainda no parágrafo seguinte: "(...) a actividade económica abrandou, registando o pior valor dos últimos dois anos (Abril 2006)". Mais uma vez, o mesmo disparate, mas agora em relação à actividade económica. No entanto, com a notável agravante de o indicador coincidente da actividade económica ter sido sempre positivo desde 2006! Ou seja, segundo o indicador coincidente do BP, a actividade económica tem melhorado continuamente desde 2006, o que faz de Abril último o... melhor mês desde 2006. Dirão vocês que pode ser o caso do DN não saber a diferença entre "pior" e "melhor". Pois, é verdade, mas eu cá prefiro acreditar que não sabem antes interpretar os dados do BP...

 

Não perca a continuação deste episódio dentro de um mês.

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publicado por Pedro Bom às 19:22
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Este vem bem recheadinho...

Tentem ler este artigo do DN, de Rudolfo Rebêlo e Rui Coutinho, sem rir. Pelo caminho contem o número de disparates que encontram. Eis os meus:

 

1. Logo a primeira frase do artigo: "As famílias portuguesas estão a consumir menos". Mais à frente: "O consumo das famílias, ao crescer apenas 0.3% (...)". Ou seja, em poucos centímetros de papel os portugueses consomem menos e mais ao mesmo tempo.

 

2. Segunda frase: "Os empresários estão a apertar o investimento". Mais à frente: "para o corrente ano, as variáveis mais dinâmicas serão o investimento e as exportações". Para quem não saiba, chama-se a isto um "aperto dinâmico"... 

 

3. Ainda sobre crescimento económico: "A economia terá crescido entre 1.6% e 1.7% em relação ao período de Janeiro a Março do ano passado". Pelo que se conclui, como está bom de ver: "o ambiente na actividade é semelhante ao sentido no terceiro trimestre de 2007".

 

4. Ainda sobre consumo: "o indicador avançado do consumo do Banco de Portugal detectou uma descida dos gastos das famílias". Ah sim? Não foi antes uma queda no crescimento dos gastos das famílias, como escrevi aqui? Mas continuam: "o que parece ser comprovado pela desaceleração das vendas dos lojistas e dos serviços". Ah, essa também é boa... a queda nas compras é comprovada pela desaceleração das vendas.

 

5. "O défice comercial agravou-se, mas (...) o contributo do comércio externo para o crescimento da economia terá sido positivo". Agrava-se mas ainda assim contribui positivamente... também é boa.

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publicado por Pedro Bom às 17:04
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Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007

Crise

Facto 1: As várias previsões para a economia portuguesa indicam uma taxa de crescimento maior em 2008 do que em 2007 (a diferença é contudo pequena).
Facto 2: As previsões do FMI para a economia global indicam uma taxa de crescimento menor em 2008 do que em 2007.

Título do DN de hoje do Rudolfo Rebêlo: "Recuperação mundial passa ao lado de Portugal".

Pois...

É verdade que o nosso crescimento vai ser menor do que a média mundial, mas obviamente que "recuperação" se adequa mais ao facto 1 do que ao facto 2.
 
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publicado por Miguel Carvalho às 13:53
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