Sábado, 14 de Março de 2009

Acho que se chama dualidade de critérios II

Aquando do último relatório do Eurostat sobre comércio, escrevi este post onde mostrava a dualidade de critérios do Público. Quando há uma má notícia publica-se, quando há exactamente a mesma (na realidade até era melhor naquele exemplo!) mas em versão positiva, omite-se.

Hoje saiu mais um relatório que é, por sorte minha, exactamente o oposto do último. Entre os países mencionados, Portugal teve o segundo melhor comportamento (segundo pior há um mês) e o melhor em absoluto na Zona Euro (pior absoluto há um mês).

 

O título e parágrafo inicial no Diário Digital há um mês:

Retalho: Portugal liderou quebra na zona euro em Dezembro

As vendas no sector de retalho nacional caíram 6,9%, em Dezembro do ano passado, a segunda quebra mais forte no conjunto da União Europeia, indicam dados preliminares do Eurostat esta quarta-feira.

Hoje:

Eurostat: vendas no retalho crescem em Janeiro na UE

As vendas no sector de comércio a retalho cresceram 0,6%, em Janeiro, no conjunto da União Europeia (+0,1% na zona euro), face a Dezembro de 2008, revelou o Eurostat esta sexta-feira.

 

Na RTP online há um mês, havia o título :
Vendas a retalho caíram quase 7% em Dezembro- Eurostat

Hoje: Pevas

 

Público há um mês, tinha o título:

Vendas a retalho de Dezembro recuam em Portugal mas estabilizam na Zona Euro.

Hoje: Pevas

 

O título da RTP não dava ênfase à posição relativa de Portugal, apenas ao nível, mas o mesmo não se passava com o texto. Hoje o oposto não mereceu referência. O Público foi muito claro ao comparar Portugal com a Zona Euro, mas hoje que teria a novidade oposta não mereceu notícia. Mas o prémio vai para o Diário Digital. Em ambos os casos teve notícia, no primeiro insistiu na comparação, e hoje nem piou no destaque.

publicado por Miguel Carvalho às 00:18
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Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Estás perdoado

Em destaque na capa: Operação Resgate Fiscal perdoa 95% dos contribuintes

Título interior: Operação Resgate Fiscal com 95% de perdões

 

O fundo da notícia parece ser o facto de apenas 7%  (95+7=100?) dos contribuintes em falta terem tido um processo criminal. Nem ligo muito ao facto de se tratar aparentemente de uma operação que ainda está em curso, ou seja é um pouco fantasioso dizer que os restantes foram perdoados. Estou a imaginar um professor a meio de uma correcção de 100 exames, o jornalista do Público passa e pergunta "então quantos já passaram?", "até agora só 20", e pimbas! capa no dia seguinte "80% chumbados". Mas o disparate maior percebe-se desta frasezinha da notícia:

 

Os restantes verão os inquéritos criminais arquivados e - garantem as Finanças - serão penalizados com contra-ordenações e coimas, caso não tenha havido acusação.

 

Contra-ordenações e coimas... que belo perdão. Passará pela cabeça de algum leitor que é isto que diz a notícia, quando lê a capa do Público?!

 

Caríssimos fiscais da EMEL, peço-vos insistentemente. Passem pela Rua Viriato em Lisboa, verifiquem os carros todos, mas perdoem-nos passando uma multa, pode ser?

 

Adenda: não consigo realmente perceber porque não escreveram "operação levou apenas 7% a tribunal até hoje" ou "descriminaliza 95%" (este também seria falso pelo que escrevi no primeiro parágrafo, mas enfim).

publicado por Miguel Carvalho às 11:14
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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

Isso é que era bom!

Na SIC Notícias ouvia-se há momentos que a "confiança dos consumidores não estava tão baixa desde Junho de 1986" (citação não-literal), dando a entender que nesse período a confiança seria ainda mais baixa.

O que se passa na realidade, é que só há medidas desde esse mês, mas nesse mês o nível de confiança era muito mais alto do que é hoje! Ou seja, desde que há medidas nunca houve um nível de confiança mais baixo.

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publicado por Miguel Carvalho às 01:10
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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Dos leitores

Do leitor J.N.

A propósito de uma entrevista do SOL à Helena Roseta, onde ela fez questão de sublinhar que tinha feito um acordo entre ela, como vereadora, e o presidente da Câmara sobre questões da habitação no concelho, a capa do SOL diz que "Helena Costa (...) concluiu um acordo com o PS",  ou seja com o partido (ligando até implicitamente o acordo ao apoio de HR a Manuel Alegre nas presidenciais...).

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publicado por Miguel Carvalho às 23:11
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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Nem toda a informação gratuita vale a pena... e esta também não

Salários portugueses em queda desde 2000, é o principal título na capa do jornal gratuito Global (o tal que admite que "nem toda a informação gratuita vale a pena").

1.Quem desconfia sempre dos títulos e lê palavra-por-palavra o texto por baixo do título, talvez se aperceba que estamos perante mais uma aldrabice, uma das mais reles que por aí anda. O que está em causa é a descida dos salários em comparação com a média, e não em valor absoluto como o título nos quer fazer crer. Para perceber porque chamo reles a esta deturpação imagine-se este título "Todas as economias europeias em recessão desde 2000". Todos sabemos que é um absurdo, mas eu poderia explicar no meio do texto que me estava a referir em valores relativos à economia chinesa. Então de repente tudo já estaria certo e o título seria válido? Para que não haja dúvidas, de 2000 a 2005 o salário português segundo o relatório em causa subiu +0,4% ao ano. (Claro que é muito pouco, mas não é isso que está em causa).

 

Mas vale a pena ler a frase por baixo do título, ela própria cheia de exemplos da ligeireza com que se faz  jornalismo. Os trabalhadores portuguesses [sic] têm vindo a perder poder de compra face ao [sic] 30 países da OCDE.

2. O título fala em salário (real) e o texto em poder de compra. Já aqui expliquei que não há uma relação directa (falta contabilizar subsídios, impostos, etc...), mas o Global usa as duas expressões como se do mesmo se tratasse.

3. "Face aos 30 países". É que a comparação nem está bem feita. Esta frase dá a entender que os outros 30 tiveram aumentos maiores (sendo por isso o português o mais baixo), mas não foi em comparação com os 30 países que o salário português desceu, foi apenas face à média. Para que não haja dúvidas, refira-se Espanha com -0,4%. E sim, -0,4% é menos do que +0,4%. Bastaria ter escrito "face à média", mas não o fizeram.

4. "Face aos 30 países"... bom não são 30. É que não há dados para todos.

5. O relatório apenas dá a média dos anos 2000-2005, e não dos anos separadamente. Não faz assim qualquer sentido dizer que desce desde 2000, porque até poderia ter acontecido uma subida em 2002, 2003, 2004 e 2005 face à média por países, e mesmo assim ter havido uma descida face à média do período em causa.

 

Com a breca, é erro a mais para duas frases apenas.

publicado por Miguel Carvalho às 10:33
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Meter as palavras na boca de outrem II

"The credit crunch is continuing and it is not evident that the worst is over, the head of the European Central Bank has told the BBC" lê-se no site da BBC.

Onde existe uma declaração prudente com algumas incertezas, o Público viu um dado adquirido, escrevendo "Jean Claude-Trichet avisa que pior da crise ainda não passou".

Nem mais!

 

 ----------

A propósito de Público, recebi uma resposta do Provedor do Público sobre o disparate descrito neste post, que lhe enviei então. Dando uma vista de olhos rápida pelos números ele diz "os dados revelados na notícia em questão estão de acordo com o que é dito no título da 1ª página (...) parece que a contradição estará no estudo do ISCTE e não na notícia do PÚBLICO". Ora é óbvio, quem fez o estudo é que se enganou nas suas próprias conclusões!
 

publicado por Miguel Carvalho às 14:57
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Previsões e Realidade

José Sócrates dizia há pouco que o seu governo tinha reduzido o défice de 6,8% para 2,?%. Só que estes 6,8% eram uma projecção para o futuro! Ou seja não só não são números reais, como nunca poderiam corresponder ao défice que "recebeu", porque era uma projecção para Dezembro de 2005 (no cenário de nada ser feito para contrariar este défice) e o governo entrou em funções em Março de 2005!
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publicado por Miguel Carvalho às 14:44
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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Uma minoria...

Hoje no Diário Económico, Luís Rego escreve sobre o referendo irlandês de ratificação do Tratado de Lisboa. O título do texto é "Referendo na Irlanda ameaça Tratado de Lisboa".
Eh pá! Há aqui uma ameaça!
O subtítulo "Portugal corre o risco de ver toda a pompa e circunstância da cerimónia de hoje ir por água abaixo se o referendo na Irlanda chumbar o novo Tratado europeu."
Bolas! Corremos um risco!
Mais à frente no texto "Numa sondagem conduzida em Novembro, apenas um quarto dos irlandeses dizia sim ao novo Tratado".
Apenas um quarto?! Isto nunca vai ser aprovado!!
Lá para o fim do texto... "Por enquanto, ainda há 62% de indecisos". Será que o Luís se "esqueceu" de descontar os indecisos? Podemos saber aqui que é esse o caso, e que apenas 13% dos irlandeses se expressaram contra. Ou seja dos 38% com opinião, 66% são a favor do tratado! Uma maioria absolutíssima!
O único nome que isto tem é aldrabice. Em todas as sondagens são descontados os indecisos, ou equivalentemente os indecisos são distribuídos do mesmo modo que os decididos. Se não fizermos isto, teríamos o PS com uns 25% de intenções de voto. ("Uma gigantesca queda do PS", escreveria o Luís). O PSD com uns 18%. Uhm , isto parece estranho). O BE, o PCP e o PP com uns 4%... claramente alguma coisa estaria errada.

P.S. apesar de não saber muito de sondagens, julgo haver mais métodos para tratar dos indecisos. "Força-los" a indicar a sua inclinação seria um, outro seria estimar a distribuição dos indecisos na altura da votação com dados de eleições anteriores. Mas nada disto invalida a minha crítica
publicado por Miguel Carvalho às 10:30
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